Infecções de Pele

Infecções Bacterianas (Bacterioses)
      Impetigo
      
Foliculite, Furúnculos e Carbúnculos
               Tratamento
      Erisipela
      Celulite
                Tratamento
      Paroníquia
                Tratamento
      
Síndrome da Pele Escaldada Estafilocócica
                Sintomas
                Diagnóstico e Tratamento
      Eritrasma
      Conjuntivite Bacteriana
      MRSA
      Hanseníase

Infecções Fúngicas (Micoses)
      Micoses em geral
      Tinha
               Tratamento
      Candidíase
               Sintomas
               Diagnóstico e Tratamento
      Pitiríase versicolor ("Pano Branco")
               Diagnóstico e Tratamento
      Micoses na adolescência
      Diagnóstico das Micoses
      Tratamento das Micoses
      Prevenção das Micoses

Infecções Virais (Viroses)
      Herpes Simples
      Herpes Zoster       
      Catapora (varicela)
      Impacto da vacinação contra varicela
      Verrugas Virais
               Diagnóstico
               Tratamento
      Molusco Contagioso 

Infecções Parasitárias (Parasitoses)
      Escabiose (sarna)
               Sintomas
               Diagnóstico e Tratamento
      Pediculose (piolhos)
               Sintomas
               Diagnóstico e Tratamento
      
Erupção Serpiginosa ("Bicho geográfico")
    


Infecções Bacterianas (Bacterioses)

A pele representa uma barreira notavelmente eficaz contra as infecções bacterianas. Apesar de muitas bactérias viverem sobre a pele, elas normalmente são incapazes de produzir uma infecção. As infecções bacterianas da pele podem afetar apenas uma área, apresentando o aspecto de uma espinha, ou podem disseminar-se em horas, afetando uma grande área. As infecções cutâneas podem variar de gravidade, de uma acne sem maior importância a uma condição potencialmente letal (p.ex., síndrome da pele escaldada estafilocócica).

Muitos tipos de bactérias podem infectar a pele. As mais comuns são o Staphylococcus e o Streptococcus. As infecções causadas por bactérias menos comuns costumam ocorrer em hospitais ou em asilos, assim como durante a realização de trabalhos de jardinagem ou quando o indivíduo nada em uma represa, em um lago ou no mar. Algumas pessoas apresentam um risco particular de contrair infecções cutâneas. Por exemplo, os indivíduos com diabetes, pois eles apresentam um fluxo sangüíneo insuficiente para a pele, especialmente das mãos e dos pés, e os indivíduos com AIDS, pois eles apresentam um comprometimento do sistema imune.

A pele lesada por queimaduras solares, arranhões ou outro tipo de irritação também apresenta uma maior probabilidade de tornar-se infectada. De fato, qualquer anormalidade da pele predispõe o indivíduo à infecção. Geralmente, manter a pele intacta e limpa evita as infecções. Quando a pele sofre um corte ou uma escoriação, a lavagem da área com água e sabão ajuda a impedir a infecção. Embora a maioria dos cremes e pomadas antibióticas seja pouco eficaz para evitar ou tratar infecções cutâneas, alguns cremes mais recentes (p.ex., de mupirocina) são eficazes contra algumas. As compressas quentes podem aumentar o suprimento sangüíneo à área infectada e ajudam a eliminar a infecção restrita a uma área pequena. Quando a infecção dissemina-se, devem ser utilizados antibióticos orais ou injetáveis.



Impetigo

O impetigo é uma infecção cutânea causada por Staphylococcus ou por Streptococcus que se caracteriza pela formação de pequenas bolhas cheias de pus (pústulas). Esta doença afeta, sobretudo as crianças e pode ocorrer em qualquer parte do corpo, mas freqüentemente as lesões ocorrem na face, nos membros superiores e inferiores. As bolhas podem ser do tamanho de uma ervilha ou até de anéis grandes. O impetigo pode ocorrer após uma lesão ou uma doença que provoca uma lesão cutânea (e. g., infecção fúngica, queimadura solar ou picada de inseto). O impetigo também pode afetar a pele normal, particularmente nos membros inferiores das crianças. O tratamento precoce pode evitar que o impetigo afete as regiões mais profundas da pele (ectima). Antibióticos (p.ex., penicilina ou cefalosporina) geralmente são administrados pela via oral. Raramente, o impetigo causado por Streptococcus pode acarretar uma insuficiência renal.



Foliculite, Furúnculos e Carbúnculos

A foliculite é uma inflamação dos folículos pilosos causada por uma infecção por Staphylococcus. Nos folículos pilosos, ocorre o acúmulo de uma pequena quantidade de pus, o que faz com que eles se tornem irritados e hiperemiados (avermelhados). A infecção danifica os pêlos, os quais podem ser facilmente arrancados. A foliculite tende a se tornar crônica nos locais em que eles se encontram profundamente enraizados na pele (p.ex., na área da barba). Os pelos rígidos podem encurvar e penetrar na pele, produzindo irritação mesmo sem uma infecção importante.

Os furúnculos são áreas grandes, elevadas, dolorosas e inflamadas causadas por uma infecção por Staphylococcus em torno dos folículos pilosos. Mais freqüentemente, os furúnculos ocorrem no pescoço, nas mamas, na face e nas nádegas e são particularmente dolorosos quando se formam em torno do nariz, das orelhas ou nos dedos. Geralmente, os furúnculos apresentam pus no centro. Geralmente, eles eliminam um exsudato esbranquiçado e discretamente sanguinolento. Alguns indivíduos apresentam furúnculos incômodos e recorrentes (furunculose) e, ocasionalmente, ocorrem epidemias de furúnculos entre adolescentes que vivem em bairros populosos e carecem de uma higiene adequada.

Os carbúnculos são aglomerados de furúnculos que produzem grandes úlceras cutâneas e a formação de cicatrizes. Os carbúnculos evoluem e curam mais lentamente que os furúnculos isolados e podem causar febre e fadiga por se tratar de uma infecção mais grave. Os carbúnculos ocorrem mais freqüentemente nos homens e mais comumente na região posterior do pescoço. Os indivíduos idosos, os diabéticos e aqueles com doenças graves apresentam uma maior tendência a apresentar carbúnculos.

Tratamento de Foliculite, Furúnculos e Carbúnculos

A melhor maneira de se prevenir essas infecções ou a sua disseminação a outros é a manutenção da pele limpa, preferencialmente com sabão líquido contendo um agente antibacteriano. O calor úmido favorece o acúmulo do pus e pode fazer com que o furúnculo drene espontaneamente. Quando um furúnculo ocorre próximo do nariz, o médico comumente prescreve antibióticos orais, pois a infecção pode disseminar-se rapidamente ao cérebro. Quando surgem furúnculos ou carbúnculos, o médico geralmente coleta uma amostra do pus para o exame laboratorial e prescreve um antibiótico oral. Os indivíduos com furúnculos recorrentes podem ter que tomar antibióticos durante meses ou mesmo anos.



Erisipela

A erisipela é uma infecção cutânea causada por Streptococcus. Mais comumente, a infecção ocorre na face, nos membros superiores ou inferiores. Algumas vezes, ela começa em uma área de pele lesada. Surge uma erupção brilhante, vermelha, discretamente inflamada e dolorosa, freqüentemente acompanhada por pequenas bolhas. Os linfonodos em torno da área infectada podem aumentar de volume e tornarem-se dolorosos. Os indivíduos com infecções particularmente graves apresentam febre e calafrios. Geralmente, a penicilina ou a eritromicina administradas pela via oral, durante 2 semanas, curam as infecções leves. Quando a infecção é grave, o médico comumente administra primeiro um antibiótico injetável.



Celulite

A celulite é uma infecção disseminada das camadas mais profundas da pele e, algumas vezes, atinge os tecidos localizados abaixo delas. Mais freqüentemente, a celulite ocorre como conseqüência de uma infecção estreptocócica ou, sobretudo após uma lesão de uma infecção estafilocócica. Contudo, muitas outras bactérias podem causar a celulite, especialmente após mordidas de seres humanos ou de animais, ou após lesões produzidas na água. A infecção é mais comum nos membros inferiores e, freqüentemente, inicia com uma alteração cutânea causada por uma pequena lesão, uma úlcera ou uma infecção fúngica entre os dedos dos pés. A celulite causa inflamação, dor, calor e hiperemia. Algumas áreas podem apresentar aspecto de equimose e podem apresentar pequenas bolhas. Os sintomas da infecção podem incluir febre, calafrios, cefaléia e complicações mais graves (p.ex., confusão mental, hipotensão arterial e aumento da freqüência cardíaca). Geralmente, o diagnóstico da celulite é fácil de ser estabelecido, mas a identificação da bactéria responsável pela infecção é uma tarefa mais difícil. Geralmente, o médico coleta uma amostra de sangue (e, às vezes, amostras da pele), enviando o material ao laboratório para a realização de cultura e identificação da bactéria.

Tratamento da celulite

O tratamento imediato pode evitar que a infecção se dissemine rapidamente e atinja o sangue e outros órgãos. Freqüentemente, a celulite é tratada com penicilina ou uma droga do tipo da penicilina (p.ex., dicloxacilina). Os indivíduos com celulite leve podem utilizar antibióticos orais. Os indivíduos idosos e aqueles com uma celulite que se dissemina rapidamente, com febre alta ou qualquer outro sinal de infecção grave comumente recebem uma injeção de antibiótico antes de iniciar o tratamento com antibióticos orais. Quando houver infecção dos membros inferiores, estes devem ser mantidos elevados e devem ser realizados curativos com panos úmidos e frios. Se as pernas estiverem infectadas, deve-se mantê-las elevadas. A aplicação de compressas úmidas e frias alivia o desconforto e reduzem a inflamação. Quando a celulite retorna, é provável que exista uma condição subjacente (p.ex., pé de atleta) que predispõe o indivíduo a apresentá-la e esta também deve ser tratada.



Paroníquia

A paroníquia é uma infecção localizada em torno da borda da unha de um dedo da mão ou do pé. A infecção freqüentemente inicia em decorrência de uma ruptura, laceração ou excisão da pele causada por uma ação muito traumática da manicura ou por uma irritação crônica. Como a área da unha possui muito pouco espaço para se expandir, a infecção tende a ser muito dolorosa. Ao contrário da maioria das outras infecções cutâneas, a paroníquia pode ser causada por muitas bactérias diferentes, (incluindo a Pseudomonas e o Proteus) e por fungos (p.ex., Candida).

Tratamento da paroníquia

As compressas quentes e os banhos com água morna ajudam a aliviar a dor e, freqüentemente, facilitam a drenagem do pus. Os banhos com água morna também aumentam a circulação sangüínea, a qual, por sua vez, ajuda no combate da infecção. Algumas vezes, o médico drena a infecção realizando uma pequena incisão na bolsa de infecção (abscesso) com o auxílio de um bisturi. As infecções que podem ser drenadas adequadamente podem não necessitar de antibioticoterapia. Quando a infecção parece estar se disseminando, o médico pode prescrever antibióticos orais. Quando a paroníquia é causada por um fungo, além do banho com água morna, o médico drena a infecção e prescreve um creme antifúngico contendo cetoconazol, ciclopirox ou miconazol. Nos casos graves, um medicamento antifúngico oral é prescrito.



Síndrome da Pele Escaldada Estafilocócica

A síndrome da pele escaldada estafilocócica é uma infecção cutânea disseminada na qual a pele descama como se tivesse sido queimada. Certos tipos de estafilococos produzem uma substância tóxica que faz com que a camada superior da pele (epiderme) se separe do resto da mesma. Algumas vezes, as infecções cutâneas causadas por Staphylococcus podem causar a síndrome do choque tóxico, uma condição potencialmente letal. A síndrome da pele escaldada estafilocócica quase sempre afeta lactentes, crianças jovens e indivíduos com depressão do sistema imune. A equipe hospitalar pode transportar estafilococos (as bactérias infectantes) sobre suas mãos e pode transmitir a bactéria de um lactente a outro, algumas vezes desencadeando uma epidemia em berçários hospitalares.

Sintomas

Comumente, a síndrome da pele escaldada estafilocócica começa com uma infecção isolada e crostosa que pode ser semelhante ao impetigo. A infecção pode ocorrer na área da fralda ou em torno do coto do cordão umbilical durante os primeiros dias de vida do lactente. Nas crianças com 1 a 6 anos de idade, a síndrome pode começar como uma área crostosa sobre o nariz ou as orelhas. Em 1 dia, surgem áreas escarlates em torno da área crostosa. Essas áreas podem ser dolorosas. Além disso, áreas grandes da pele podem tornar-se hiperemiadas e formar bolhas que rompem facilmente. A seguir, a camada superior da pele começa a se soltar, freqüentemente em grandes faixas, inclusive quando tocadas levemente ou pressionadas de forma suave. Após um ou dois dias, toda a superfície cutânea pode estar afetada e a criança adoece gravemente, apresentando febre, calafrios e debilidade. Com a perda da barreira protetora da pele, outras bactérias e microrganismos infecciosos podem invadir facilmente o organismo. Também pode ocorrer uma perda importante de líquido em decorrência da exsudação e da evaporação.

Diagnóstico e Tratamento

Ao realizar uma biópsia (coleta de uma amostra de pele para exame microscópico) ou ao obter um fragmento de pele e enviando-o ao laboratório para a realização de cultura, o médico pode diferenciar a síndrome da pele escaldada estafilocócica de doenças semelhantes (p.ex., necrólise epidérmica tóxica, a qual é comumente causada por medicamentos).

Freqüentemente o médico prescreve um antibiótico intravenoso do tipo da penicilina (p.ex., cloxacilina, dicloxacilina ou cefalexina). No entanto, quando a síndrome é diagnosticada precocemente, o médico pode prescrever a forma oral desses antibióticos. Este tratamento deve se mantido pelo menos por 10 dias. Com o tratamento precoce, a cura ocorre em 5 a 7 dias. A pele deve ser manipulada delicadamente para evitar novos descolamentos. Ela deve ser tratada como se tivesse sido queimada. O médico pode aplicar uma compressa protetora. As crianças gravemente afetadas devem ser tratadas na unidade de queimados do hospital.



Eritrasma

O eritrasma é uma infecção das camadas superiores da pele causada pela bactéria Corynebacterium minutissimum. O eritrasma afeta principalmente os adultos e os indivíduos diabéticos. Ela é mais comum nas zonas tropicais. Como uma infecção fúngica, o eritrasma freqüentemente ocorre em áreas onde existe o contato de pele contra pele como, por exemplo, sob as mamas e nas axilas, nas membranas interdigitais dos dedos dos pés e na área genital, especialmente nos homens, onde as coxas entram em contato com a bolsa escrotal. A infecção pode causar o surgimento de manchas rosadas de formas irregulares que podem, posteriormente, tornar-se escamas finas acastanhadas. Em alguns indivíduos, a infecção dissemina-se para o tronco e a região anal. Os médicos podem diagnosticar facilmente o eritrasma, pois o Corynebacterium apresenta um brilho característico de cor vermelho coral sob a luz ultravioleta. Um antibiótico oral (p.ex., eritromicina ou tetraciclina) pode eliminar a infecção. Os sabões antibacterianos também podem ser úteis. O eritrasma pode recorrer em 6 a 12 meses, exigindo um segundo tratamento.



Conjuntivite bacteriana

Apesar da conjuntivite bacteriana ser uma doença infecciosa dos olhos, geralmente as doenças que acometem as pálpebras podem comprometer também este órgão, e frequentemente o dermatologista é obrigado a orientar e tratar o paciente com este problema. A conjuntivite bacteriana é uma infecção das conjuntivas (pele transparente que recobre os olhos). Ela é causada por bactérias. Existem as conjuntivites virais, também graves, que devem ser tratadas por oftalmologistas. Os sinais e sintomas são os olhos vermelhos e lacrimejantes, produção de secreção amarelada (pus), fotofobia (dor ao olhar para a luz) e uma sensação de que há areia dentro dos olhos. Às vezes, acontece das pálpebras estarem grudadas quando a você acorda. Pega-se conjuntivite através de contato direto com uma pessoa contaminada, compartilhando as toalhas, mergulhando no mar em praias poluídas e usando piscinas com tratamento de cloro ausente ou ineficiente.

Dicas Não freqüente as praias impróprias para banho nem piscinas que não estejam devidamente tratadas. Não coloque as mãos nos olhos infectados - seus ou de outra pessoa - e encoste-a em um olho saudável. Também evite compartilhar toalhas. Uma medida que pode ajudar é fazer um lava-olho com xampu infantil diluído em água. As conjuntivites bacterianas exigem o uso de colírios antibióticos, sempre receitados por médico. As conjuntivites virais não respondem ao tratamento com antibióticos.

Última Atualização: 19/11/2005



MRSA atacando fora do hospital

Cepas de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) são cada vez mais comuns na comunidade, embora difiram dos isolados habituais hospitalares de MRSA em sua biologia molecular, sensibilidade a antimicrobianos e atividade. Vários relatos documentam a propagação e apresentações clínicas dessas infecções.

Fridkin e cols. estudaram isolados de MRSA de pacientes em Baltimore, Atlanta, e várias comunidades de Minnesota. As infecções foram classificadas como adquiridas na comunidade se os pacientes não tivessem fatores de risco aparentes para a infecção (10% a 20% das infecções); quase 80% eram infecções da pele e de partes moles, primariamente abscessos. Quase 75% dos pacientes receberam antibióticos aos quais os isolados eram resistentes, mas a evolução da doença não diferiu entre estes pacientes e os pacientes que receberam antimicrobianos aos quais o organismo fosse sensível.

Até recentemente, o S. aureus raramente se associava a fasciíte necrosante (FN). Miller e cols. identificaram 14 pacientes que se apresentaram num hospital de Los Angeles a partir da comunidade e com MRSA e FN. A maioria tinha patologias predisponentes, como uso de drogas injetáveis, diabetes ou AIDS, mas quase 30% não tinham fatores de risco identificáveis. O início, nestes pacientes, foi tipicamente subagudo (duração média dos sintomas antes da internação, seis dias) e as infecções ocorreram mais comumente nas extremidades ou nos glúteos. Todos os pacientes sobreviveram, mas a maioria precisou de extensa cirurgia e hospitalização prolongada. Os autores concluíram que a FN associada ao MRSA é uma entidade clínica emergente.

Ruiz e cols. descrevem quatro casos de piomiosite por MRSA adquirido na comunidade, raramente relatada em climas temperados, vistos num hospital de Washington, EUA, durante seis meses. Todos os pacientes tinham infecções numa coxa e dois tinham furúnculos precedentes que tinham sido drenados. A exposição a estes organismos representa um certo risco para o pessoal da área da saúde. Nordmann e Naas descrevem uma infecção de pele que se desenvolveu num microbiologista sete dias depois de trabalhar com a cepa idêntica no laboratório.

Comentário: Estas cepas de MRSA adquiridas na comunidade carregam leucocidina de Panton-Valentine, uma toxina de membrana associada a uma resposta inflamatória grave e raramente encontrada em isolados hospitalares. Os dermatologistas devem perceber que uma proporção crescente de infecções estafilocócicas cutâneas na comunidade é causada por estas cepas, que tipicamente causam abscessos, muitas vezes acompanhados por necrose tecidual. A drenagem continua a ser o tratamento mais importante. O papel da antibioticoterapia é menos claro, exceto nas infecções graves como a fasciíte necrosante.

Última Atualização: 20/10/2005


Hanseníase

As manchas na pele surgem lentamente e são facilmente confundidas com micoses ou ressecamentos da pele. As manchas podem ser anestésicas, isto é, insensíveis ao toque. Geralmente os pacientes percebem que as manchas são indolores às queimaduras, principalmente daquelas ocorridas na cozinha. Os cremes não solucionam o problema. Deve-se procurar um dermatologista porque apenas ele está treinado para fazer o diagnóstico correto. A hanseníase é uma doença infecciosa causada por uma bactéria (bacilo) que atinge a pele e os nervos. A forma de contágio mais comum da doença é de pessoa para pessoa, pela via aérea, por pessoas infectadas e que não estejam em tratamento. Ao falar, tossir ou espirrar, o portador da hanseníase pode expelir a bactéria.

Sintomas

Surgem manchas brancas ou placas avermelhadas na pele, com clara alteração na sensibilidade ao calor e ao frio, ou seja, no local das manchas não se sente dor. Há ainda sensação de queimação e de dormência, formigamentos nas mãos e pés, caroços ou inchaços na orelha e no rosto. O que muita gente não sabe é que a doença tem cura. Com o diagnóstico rápido, as possibilidades de cura sem seqüelas são grandes.

Tratamento

O tratamento é feito facilmente com coquetéis de antibióticos. São três comprimidos, durante seis meses a um ano, dependendo da quantidade de bacilos e lesões que exista no paciente. Desde a primeira dose do tratamento elimina-se, em média, 90% da carga de bacilo causador da doença. Com isso, reduz-se consideravelmente a possibilidade de transmissão da doença. É importante que a medicação não seja interrompida nem mesmo com a melhora dos sintomas.

Cuidados que o portador da hanseníase deve ter

Olhos - Repare se você tem, permanentemente a sensação de estar com areia nos olhos, a visão embaçada ou ressecada de repente, ou se tem piscado mais que o normal. Pode ser um pequeno nervo dos olhos afetado pela doença.
O que fazer - Observe se há ciscos e limpe com soro. Se está difícil fechar os olhos, exercite-os, forçando o músculo ao abrir e fechar.

Nariz - Se sente que o nariz tem ficado entupido com freqüência, se têm aparecido cascas ou sangramentos súbitos, se tem sentido cheiro ruim, o osso do nariz pode ter sido atingido pela doença.
O que fazer - Limpe o nariz com soro fisiológico, inspirando e expirando. Nunca arranque as casquinhas.

Mãos e braços - Se nota dor ou formigamento, choque ou dormência nas mãos, braços e cotovelos ou se as mãos ficam inchadas e com dificuldade de sustentar os objetos, fique atento.
O que fazer - Faça repouso do braço afetado, evite os movimentos repetitivos e não carregue objetos pesados. Procure o serviço de saúde. Use óleos ou cremes para evitar ressecamento.

Pés - Se sente dor e câimbras nas pernas, fraqueza nos pés, formigamento ou choque; se surgem muitas feridas, calos ou bolhas, é sinal de que o nervo foi atingido. Por isso, a pele resseca e o pé fica fraco.
O que fazer - Fique em repouso e ande calçado apenas quando necessário. Procure o médico. Regiões esbranquiçadas e insensíveis na pele são um sinal da doença.

Fonte: Ministério da Saúde


Infecções Fúngicas (Micoses)

Os fungos que infectam a pele (dermatófitos) vivem somente na camada superior de células mortas (estrato córneo) e não penetram mais profundamente. Algumas infecções fúngicas são assintomáticas ou produzem apenas uma discreta irritação, descamação e hiperemia (rubor). Outras infecções fúngicas causam pruridos, inflamação, bolhas e descamação grave. Geralmente, os fungos estabelecem-se nas áreas úmidas do corpo onde duas superfícies cutâneas atritam entre si (p.ex., entre os dedos dos pés, na virilha e sob as mamas). Os indivíduos obesos apresentam uma maior probabilidade de contrair esse tipo de infecção, pois apresentam um excesso de pregas cutâneas.

Estranhamente, as infecções fúngicas localizadas em uma parte do corpo podem causar erupções cutâneas em outras partes não infectadas. Por exemplo, uma infecção fúngica do pé pode causar uma erupção cutânea proeminente e pruriginosa nos dedos das mãos. Essas erupções (dermatofítides ou erupções ide) representam reações alérgicas ao fungo. O médico pode suspeitar de uma infecção fúngica quando observa uma erupção cutânea vermelha e irritada sobre uma das áreas comumente afetadas. Habitualmente, o médico pode confirmar o diagnóstico raspando uma pequena porção de pele para examiná-la ao microscópio ou colocando-a em um meio de cultura que permite o crescimento dos fungos de modo que seja possível identificá-los.

Micoses em geral

Frequentemente são pequenas manchas que surgem na pele logo depois de uma visita ao clube ou após as férias na praia. Para quem não faz idéia do que pode ser, a resposta é uma só: micose. No entanto, nem toda mancha nítida pode ser chamada de micose, como popularmente acontece. Como as lesões na pele são semelhantes, apenas um dermatologista tem condições de fazer o diagnóstico correto. A chamada micose "de verão" pode, na verdade, ser uma alteração na pele causada pela exposição prolongada ao sol. A coincidência é que a verdadeira micose é um problema beneficiado pela umidade. Ou seja, pode ocorrer com mais freqüência nos clubes, nos vestiários de academia ou em outros ambientes semelhantes. A micose é uma infecção na pele causada por fungos. Os fungos estão presentes no meio ambiente, nas pessoas, nos animais. Eles gostam de umidade e calor e se alimentam da queratina que fica na superfície da pele. Então, quando o calor aumenta - como no verão -, as circunstâncias ficam ideais e eles começam a se reproduzir, causando a micose. A micose pode surgir em diferentes partes do corpo e tem aparências diversas. Pode ser uma mancha em forma de círculo, ou bolinhas cheias de água, ou com descamação na borda... Nos pés, é comum uma descamação no meio dos dedos e bolinhas na sola. Nos homens ela aparece muito na virilha, onde causa avermelhamento e descamação. Em crianças, podem causar queda de cabelo quando surgem no couro cabeludo.

Há diversos tipos de micose causados por grupos diferentes tipos de fungos, e alguns podem comprometer os órgãos internos do nosso corpo. As micoses que acometem apenas a superfície da pele são chamadas de micoses superficiais, cujos fungos utilizam a camada mais superficial da pele como alimento. O problema, que se propaga com rapidez, pode aparecer em locais variados, como braços, virilha, pés e mucosas. Os tipos mais comuns de fungos causadores de micoses superficiais estão presentes na própria pele dos seres humanos ou então em animais como gatos e cachorros. A existência natural dos fungos na pele não significa que todas as pessoas terão micose. Para que a doença acometa as pessoas, são necessários alguns fatores, como uma queda no sistema de defesa do organismo. Com isso, o fungo penetra na pele e, encontrando condições ideais, se desenvolve. A umidade, o calor e lesões na pele são algumas características que agradam esses agentes patogênicos, facilitando sua proliferação.

É comum que a micose tenha denominações específicas, conforme a área que atinge. Entre os dedos do pé, por exemplo, a micose é chamada de "frieira" (tinea pedis). Sua ocorrência neste local é freqüente em pessoas que não enxugam os pés adequadamente ou que usam sapatos fechados por longos períodos. A dificuldade na absorção do suor deixa os pés úmidos. O calor mantido dentro do sapato associado à umidade favorece a ação dos fungos. Outro tipo comum de manifestação da micose, cientificamente chamada de tinha, é a que ocorre na pele, em diversas regiões do corpo, sobretudo na virilha (tinea cruris), nas mãos e na face. Nestas áreas, surgem manchas avermelhadas, de tamanhos variados, que têm a borda nítida, coçam e parecem descamar.

No couro cabeludo, a micose é conhecida popularmente como "pelada" (tinea capitis). Nesta região, a doença aparece em placas, onde há perda de cabelo e descamação. É freqüente que a "pelada" apareça na infância, depois que a criança tem contato com animais que têm o fungo ou até mesmo com outros colegas que tenham o problema. Se não for tratada, a "pelada" evolui, causando falhas de cabelo que são permanentes. Nas unhas, a chamada onicomicose provoca espessamento. As unhas ficam opacas e com tonalidades amareladas, podendo descolar (foto).

Tinha

A tinha é uma infecção fúngica cutânea causada por vários fungos diferentes e, geralmente, classificada de acordo com a sua localização no corpo. O pé-de-atleta (tinha dos pés) é uma infecção fúngica comum que ocorre comumente durante o tempo quente. Geralmente, a tinha dos pés é causada pelo Trichophyton ou pelo Epidermophyton, fungos que podem crescer nas áreas quentes e úmidas localizadas entre os dedos dos pés. O fungo pode produzir uma descamação muito discreta sem qualquer outro sintoma ou uma descamação mais intensa acompanhada por uma erupção cutânea pruriginosa, dolorosa e que deixa a pele em carne viva entre os dedos e nas laterais dos pés.

Além disso, pode ocorrer a formação de bolhas cheias de líquido. Como o fungo pode produzir fissuras na pele, o pé-de-atleta pode acarretar uma infecção bacteriana, especialmente nos indivíduos idosos e naqueles com uma má circulação sangüínea nos pés. O prurido na virilha (tinha crural) pode ser causado por vários fungos e leveduras. Ele é muito mais comum nos homens que nas mulheres e ocorre mais freqüentemente no tempo quente. A infecção causa o surgimento de áreas vermelhas, anulares, com pequenas bolhas sobre a pele em torno da virilha e na parte superior da face interna das coxas. Esse distúrbio pode ser muito pruriginoso e inclusive, pode ser doloroso.

A sua recorrência é comum, pois os fungos podem persistir indefinidamente sobre a pele. Mesmo com o tratamento adequado, um indivíduo pode apresentar infecções repetidas. A tinha do couro cabeludo é causada pelo Trichophyton ou pelo Microsporum, um outro fungo. A tinha do couro cabeludo é altamente contagiosa, especialmente entre as crianças. Ela pode causar uma erupção descamativa e hiperemiada que pode ser discretamente pruriginosa ou pode causar uma área de alopecia sem erupção cutânea. A tinha das unhas é uma infecção ungueal causada pelo Trichophyton. O fungo atinge a parte recém-formada da unha e, em decorrência de sua ação, a unha torna-se espessa, sem brilho e deformada.

A infecção é muito mais comum nas unhas dos dedos dos pés que nas dos dedos das mãos. Uma unha do pé infectada pode descolar do leito ungueal, quebrar ou descamar. A tinha corpórea também é causada pelo Trichophyton. Geralmente, a infecção causa uma erupção cutânea rosada ou vermelha que, algumas vezes, forma áreas arredondadas com áreas claras nos centros. A tinha corpórea pode ocorrer em qualquer área da pele. A tinha da barba é rara. A maioria das infecções da área da barba é causada por bactérias e não por fungos.

Tratamento da tinha

A maioria das infecções fúngicas cutâneas, excetuando-se as do couro cabeludo e das unhas, são leves e, os cremes antifúngicos comumente as curam. Muitos cremes antifúngicos eficazes podem ser adquiridos sem a necessidade de prescrição médica. Geralmente, os pos antifúngicos não são tão eficazes para o tratamento das infecções fúngicas. Os ingredientes ativos das medicações antifúngicas incluem o miconazol, o clotrimazol, o econazol e o cetoconazol. Comumente, os cremes são aplicados duas vezes ao dia e o tratamento deve ser mantido por 7 a 10 dias após o desaparecimento completo da erupção.

Quando a aplicação do creme é interrompida muito precocemente, a infecção pode não ser erradicada e a erupção retorna. Podem transcorrer vários dias até os efeitos dos cremes antifúngicos serem observados. Neste período, cremes de corticosteróides são freqüentemente utilizados para aliviar o prurido e a dor. A hidrocortisona em baixa concentração pode ser adquirida sem prescrição médica. Os corticosteróides mais potentes exigem prescrição médica. Para as infecções mais graves ou resistentes, o médico pode prescrever vários meses de tratamento com griseofulvina, algumas vezes concomitante com cremes antifúngicos.

A griseofulvina, a qual é administrada pela via ora, é muito eficaz, mas pode produzir efeitos colaterais como cefaléia, desconforto gástrico, fotossensibilidade (sensibilidade à luz), erupções cutâneas, edema e redução do número de leucócitos. Após o término do tratamento com griseofulvina, a infecção pode retornar. O médico também pode prescrever o cetoconazol para tratar as infecções fúngicas cutâneas. Assim como a griseofulvina, o cetoconazol oral pode produzir efeitos colaterais graves, incluindo distúrbios hepáticos. Manter as áreas infectadas limpas e secas ajuda a evitar um maior crescimento dos fungos e favorece a cura da pele. As áreas infectadas devem ser lavadas freqüentemente com água e sabão e, em seguida, polvilhadas com talco.

Freqüentemente, o médico recomenda evitar os pós que contêm amido de milho, pois eles podem favorecer o crescimento de fungos. Quando uma infecção fúngica cutânea torna-se exsudativa, é possível que tenha ocorrido uma infecção bacteriana. Essa infecção pode exigir um tratamento com antibióticos. Alguns médicos prescrevem antibióticos tópicos (aplicados sobre a pele), enquanto outros prescrevem antibióticos orais. A solução diluída de Burrow ou a pomada de Whitfield (ambos produtos de venda livre) também podem ser utilizadas para ajudar a secar a pele que exsuda.


Candidíase

A candidíase (infecção por leveduras, monilíase) é uma infecção causada pelo fungo Candida albicans, antes denominado Monilia. Geralmente, a Candida infecta a pele e as membranas mucosas (p.ex., revestimento da boca e da vagina). Raramente, ela invade tecidos profundos ou o sangue, causando uma candidíase sistêmica potencialmente letal. Essa infecção mais grave é comum entre os indivíduos com depressão do sistema imune (p.ex., indivíduos com AIDS e aqueles submetidos à quimioterapia). A Candida é um habitante normal do trato digestivo e da vagina e, normalmente, não causa qualquer dano.

Quando as condições ambientais são particularmente favoráveis (p.ex., tempo úmido e quente) ou quando as defesas imunes do indivíduo encontram-se comprometidas, o fungo pode infectar a pele. Como os dermatófitos, a Candida cresce bem em condições quentes e úmidas. Às vezes, os indivíduos que fazem uso de antibióticos apresentam infecções por Candida, pois os antibióticos matam as bactérias que normalmente habitam nos tecidos, permitindo que a Candida cresça sem qualquer resistência. O uso de corticosteróides ou um tratamento com imunossupressores após um transplante de órgão também pode deprimir as defesas do organismo contra as infecções fúngicas. As mulheres grávidas, os indivíduos obesos e os diabéticos também apresentam uma maior probabilidade de serem infectados pela Candida.

Sintomas da Candidíase

Os sintomas variam de acordo com a localização da infecção. As infecções nas pregas cutâneas (infecções intertriginosas) ou no umbigo causam freqüentemente uma erupção vermelha, muitas vezes com placas delimitadas que exsudam pequenas quantidades de um líquido esbranquiçado. Pode ocorrer a formação de pequenas pústulas, especialmente nas bordas da erupção, e a erupção pode ser pruriginosa ou produzir uma sensação de queimação. Uma erupção por Candida em torno do ânus pode ser pruriginosa, deixar a pele em carne viva e apresentar uma coloração esbranquiçada ou vermelha. As infecções vaginais por Candida (vulvovaginite) são comuns, especialmente em mulheres grávidas, em diabéticas ou naquelas que estão fazendo uso de antibióticos.

Os sintomas dessas infecções incluem uma secreção vaginal branca ou amarela, uma sensação de queimação, prurido e hiperemia ao longo das paredes e na área externa da vagina. As infecções penianas por Candida afetam mais freqüentemente os homens com diabetes ou aqueles cujas parceiras sexuais apresentam infecções vaginais por Candida. Habitualmente, a infecção causa uma erupção descamativa, vermelha e algumas vezes dolorosa na parte inferior do pênis. No entanto, uma infecção peniana ou vaginal pode ser assintomática. O "sapinho" é uma infecção por Candida localizada no interior da boca. As placas brancas cremosas típicas do "sapinho" aderem a língua e a ambos os lados da boca e, freqüentemente, são dolorosas.

As placas podem ser facilmente removidas através da raspagem com um dedo ou uma colher. O "sapinho" não é incomum em crianças saudáveis, mas, nos adultos, pode indicar um comprometimento do sistema imune, possivelmente causado pelo diabete ou pela AIDS. O uso de antibióticos que matam as bactérias competidoras aumenta a possibilidade do indivíduo apresentar "sapinho". O perlèche ("boqueira") é uma infecção dos cantos da boca por Candida, a qual produz fissuras e pequenos cortes. O perlèche pode ser conseqüência de próteses dentárias mal adaptadas que deixam as comissuras da boca úmidas o suficiente para permitir o crescimento de fungos. Na paroníquia por Candida, o fungo cresce nos leitos ungueais, produz uma inflamação dolorosa e a formação de pus. As unhas infectadas com Candida podem tornar-se brancas ou amarelas e podem descolar do leito ungueal, seja na mão ou no pé.

Diagnóstico e Tratamento da candidíase

Geralmente, o médico consegue identificar uma infecção por Candida através da observação de sua erupção característica ou do resíduo espesso, pastoso e branco produzido pela infecção. Para estabelecer o diagnóstico, o médico pode raspar parte da pele ou do resíduo com o auxílio de um bisturi ou de um abaixador de língua. Em seguida, a amostra é examinada ao microscópio ou colocada em um meio de cultura para se identificar a causa da infecção.

Em geral, as infecções cutâneas causadas pela Candida são facilmente curadas com cremes e loções medicamentosas. Freqüentemente, os médicos prescrevem um creme com nistatina para as infecções cutâneas, vaginais e penianas. Geralmente, o creme é aplicado duas vezes ao dia durante 7 a 10 dias. Os medicamentos antifúngicos para tratar as infecções fúngicas vaginais ou anais também são produzidos sob a forma de supositórios.

Os medicamentos para tratar a monilíase oral ("sapinho") podem ser aplicados sob a forma de um líquido para a higiene bucal que é, a seguir, cuspido ou sob a forma de pastilhas que se dissolvem lentamente na boca. Para as infecções cutâneas, pomadas de corticosteróides (p.ex., hidrocortisona) são utilizadas concomitantemente com cremes anti-fúngicos, pois as pomadas reduzem rapidamente o prurido e a dor (embora elas não ajudem a curar a infecção em si). Manter a pele seca ajuda a eliminar a infecção e impede o retorno do fungo. Um talco em pó simples ou um pó contendo nistatina pode ajudar a manter a superfície afetada seca.



Pitiríase Versicolor ("Pano Branco")

A pitiríase versicolor é uma infecção fúngica a qual causa manchas que variam do branco ao castanho claro sobre a pele. A infecção é bastante comum, especialmente em adultos jovens. Ela raramente causa dor ou prurido, mas impedem o bronzeamento das áreas afetadas, causando o surgimento de manchas. Os indivíduos que possuem uma pele naturalmente escura podem perceber as manchas pálidas. Os indivíduos que possuem uma pele naturalmente clara podem apresentar manchas escuras. Freqüentemente, as manchas localizam-se sobre o tronco ou sobre as costas e podem descamar discretamente. Com o passar do tempo, as pequenas áreas afetadas podem confluir e formar manchas grandes.

Diagnóstico e Tratamento

O médico diagnostica a pitiríase versicolor pelo seu aspecto. Ele pode utilizar uma luz ultravioleta para detectar a infecção de modo mais acurado ou pode examinar raspado da área infectada ao microscópio. Os xampus anticaspa, como o de sulfeto de selênio a 1%, ou cetoconazol a 2%, geralmente curam a pitiríase versicolor. Esses xampus são aplicados concentrados sobre as áreas afetadas (inclusive no couro cabeludo) na hora de dormir. O indivíduo deixa o xampu agir durante a noite e o lava pela manhã.

Comumente, o tratamento é realizado durante 3 a 4 noites. Os indivíduos que apresentam irritações cutâneas decorrentes desse tratamento podem ter que limitar o tempo de contato do xampu com a pele para 20 a 60 minutos ou podem ter que utilizar medicações prescritas pelo médico. A pele pode não recuperar a sua pigmentação normal por muitos meses após o desaparecimento da infecção. O quadro geralmente retorna após um tratamento bem sucedido porque o fungo responsável normalmente vive sobre a pele. Quando o quadro retorna, o tratamento deve ser repetido.


Micoses na adolescência

Os adolescentes também são vítimas dos fungos, principalmente com a ocorrência da pitiríase versicolor, também chamada de "impigem" ou "pano branco". Este tipo de micose se caracteriza pelo aparecimento de manchas esbranquiçadas ou rosadas por toda a pele. O fungo causador da pitiríase precisa de um alimento mais gorduroso, o que encontra com freqüência na pele de um adolescente. A pitiríase é comum entre os jovens, mas pode também se repetir ao longo da vida. Isso ocorre quando a pessoa não tem resistência ao fungo. A pitiríase versicolor pode deixar uma mancha branca residual ao desaparecer, porque este fungo produz uma substância que despigmenta a pele. O paciente deve tomar Sol para repigmentar a região onde estava o fungo e igualar o tom da pele.



Diagnóstico da Micoses

O diagnóstico das micoses superficiais não é difícil. No entanto, o problema pode ser confundido com alergias, outras alterações na pele e psoríase. Para comprovar a doença, é comum que o dermatologista peça um exame em que as manchas são raspadas e analisadas para verificar a presença do fungo. A micose, normalmente, não é um problema grave ou que traz complicações. Mas é preciso ficar atento, pois seu aparecimento pode revelar a presença de outras doenças mais sérias ou de deficiências imunológicas. Como a pele tem um sistema de vigilância natural, o fungo só se desenvolve quando encontra oportunidade: o sistema de defesa cai por fatores internos ou por causas externas, como falta de higiene e cuidados.

Tratamento das Micoses

O tratamento da micose sempre vai depender do local atingido, da extensão e das características do caso. A medicação local à base de antifúngicos costuma ser a mais adotada, sobretudo nas manchas menores que aparecem na pele. Os medicamentos têm apresentações variadas como sprays, pomadas, cremes ou soluções. Entre os dedos, a solução antifúngica pode ser a medicação mais adotada. Se o quadro de manchas na pele é extenso, o spray costuma ser o mais recomendado. Muitas vezes, as manchas na pele só desaparecem algum tempo depois que o tratamento já terminou (o fungo geralmente despigmenta a pele).

O preço dos medicamentos é variado: há opções mais baratas e aquelas com custo mais elevado. O tempo de tratamento também não é determinado. Muitas vezes, o uso da medicação pode ser mantido por três ou quatro semanas. A onicomicose pode ser tratada com a aplicação de remédios apresentados sob a forma de esmalte. Se mais da metade das unhas já foi atingida, no entanto, recomenda-se a medicação oral, durante , pelo menos, 4 meses. O mesmo ocorre nas tinhas do couro cabeludo, nas manchas mais extensas na pele e em algumas formas de candidíase. A candidíase vulvovaginal também pode ser tratada com cremes vaginais. O "sapinho" é tratado com medicação oral e com limpeza da área atingida.

Prevenção das Micoses

Há alguns cuidados que podem ser adotados para prevenir a ocorrência das micoses superficiais. A higiene é o primeiro passo Principalmente nas áreas preferidas pelos fungos - como entre os dedos do pé e na virilha - é preciso manter a pele sempre seca, enxugando com cuidado após o banho. As unhas devem receber um cuidado especial, sendo mantidas sem traumas. É adequado evitar o uso prolongado de tênis ou de sapatos fechados. Freqüentadores de clubes e vestiários também devem evitar pisarem descalços em locais úmidos, onde outra pessoa com micose pode ter pisado.

Dicas: O ideal é evitar locais propícios para o crescimento de fungos, isto é, úmidos e quentes. Então, evite: andar descalço em vestiário de piscina, tocar em animais desconhecidos (principalmente se seus pêlos estiverem caindo), usar calçados e roupas de outras pessoas. Além disso, tente sempre deixar o ambiente arejado, ande descalço dentro de casa e use sandálias abertas sempre que possível, use roupas de algodão que facilitam a transpiração, enxugue bem todas as "dobras" do corpo (virilha, atrás do joelho, entre os dedos...).

Última Atualização: 19/11/2005

 


Infecções Virais (Viroses)

Muitos tipos de vírus invadem a pele, mas a atenção médica está centrada, sobretudo em apenas três grupos. Dois desses grupos causam doenças familiares: verrugas e o herpes labial decorrente da febre. As verrugas são causadas pelo papilomavírus, e o herpes labial pelo vírus do herpes simples, como o herpes zoster. O terceiro grupo de vírus que infecta a pele faz parte da família do poxvírus. O poxvírus mais conhecido é o vírus da varíola, que tem apenas um interesse histórico. Este vírus foi eliminado em todo o mundo graças ao uso da vacina. No entanto, a varicela (catapora) continua sendo uma infecção freqüente na infância. O molusco contagioso também é causado por um poxvírus.

Catapora

A varicela, conhecida popularmente como catapora, é uma doença infecciosa causada pelo vírus Varicela zoster. Ela atinge tanto crianças, como jovens e adultos. Os primeiros sintomas são parecidos com os de uma virose: febre, coriza e tosse. Depois aparecem pequenas manchas nas costas, no peito e no abdome. As manchas viram bolinhas vermelhas (chamadas pelos médicos de pápulas), que se transformam em pequenas bolhas com líquido (ou vesículas) e, finalmente, em crostas.

A catapora ou varicela é contagiosa e
altamente transmissível. Ela contamina cerca de 80% das pessoas não-vacinadas ou que nunca contraíram a doença. Mesmo antes de saber que está doente, a pessoa começa a transmitir o vírus, porque os sintomas só aparecem entre 14 a 21 dias depois do contágio. Mas, atenção: o maior risco de transmissão ocorre 48 horas antes de surgirem os sintomas. Para contrair a doença, basta que a pessoa entre em contato com as vesículas do doente ou as gotículas que ele expele pelo ar. O final do inverno e chegada da primavera, as condições climáticas favorecem a proliferação do vírus pelo ar. A recuperação leva entre sete e 10 dias, quando todas as lesões já viraram crostas. Durante este período, o doente precisa ficar em casa. A catapora só deixa de ser contagiosa quando a última bolha estiver cicatrizada. Quem já teve a doença está completamente imune. Quem só foi vacinado, não.

A orientação médica é sempre importante, tanto para a realização do diagnóstico preciso como para a prescrição de medicamentos que aliviem a coceira e a febre. O Ministério da Saúde ainda está estudando a implantação da vacina no calendário oficial. O custo para imunizar uma criança em clínicas particulares não sai por menos de 100 reais. No ano em que registramos altos índices da doença, cresce a quantidade de pessoas imunizadas. Conseqüentemente, no ano seguinte, os números caem. Os principais casos se concentram em creches e escolas. Nestas situações, realizamos a vacinação de bloqueio, ou seja, quando as prefeituras identificam os surtos, encomendam doses para aplicar em crianças de até 6 anos, matriculadas nesses estabelecimentos. A catapora é uma doença de infância que só vai ser erradicada quando a vacina estiver no programa nacional de imunização. Por enquanto, não está.

Última Atualização: 20/10/2005



Impacto da vacinação contra varicela

Em um estudo retrospectivo realizado nos Estados Unidos, onde a vacinação contra a varicela é recomendada de forma rotineira desde 1995, foi avaliado o impacto da vacinação sobre a redução das internações e consultas médicas de 1994 a 2002. Foi constatada uma redução das internações por varicela (cerca de 88%), bem como das consultas médicas (cerca de 59%). Embora essas reduções tenham sido observadas em todas as faixas etárias, elas foram mais significativas entre crianças abaixo de 1 ano, para as quais a vacinação não é indicada, o que demonstra claramente que a diminuição da incidência da doença deve-se à imunidade de rebanho. Fica evidente, uma vez mais que os benefícios das imunizações refletem-se não apenas em nível individual, como também coletivamente. Houve uma drástica redução, da ordem de 74%, nas despesas médicas diretas relativas a internações e consultas médicas.

Fangjun Zhou, PhD, MS. Impact of Varicella Vaccination on Health Care Utilization. JAMA, August 17, 2005—Vol 294, No. 7

Última Atualização: 23/11/2005



Herpes Simples

O Herpes Simples é uma virose que pode afetar qualquer região da pele, mas a incidência maior é nos lábios. Manifesta-se quando a resistência do organismo cai, e isto pode ocorrer após a exposição excessiva ao sol. O uso de protetor solar labial ajuda a prevenir esta virose. O uso de antivirais em creme e comprimidos se faz necessário.



Verrugas

As verrugas são pequenos tumores cutâneos causados por qualquer um dos 60 tipos de papilomavírus humanos. As verrugas podem ocorrer em qualquer idade, mas são mais comuns em crianças e menos comuns em idosos. Embora as verrugas cutâneas disseminem-se facilmente de uma área do corpo a outra, a maioria não é muito contagiosa de um indivíduo a outro. No entanto, as verrugas genitais são contagiosas. A grande maioria das verrugas é inofensiva. Os tipos mais comuns não se tornam cancerosos. Somente tipos raros e alguns tipos que infectam o colo uterino e o pênis muito raramente tornam-se cancerosos. O tamanho e a forma da verruga dependem do tipo de vírus responsável e de sua localização no corpo. Algumas verrugas são indolores, enquanto outras causam dor por produzirem irritação de nervos. Algumas verrugas crescem em grupos (verrugas em mosaico), enquanto outras aparecem como formações isoladas e únicas. Freqüentemente, as verrugas desaparecem sem tratamento. Entretanto, algumas persistem durante muitos anos e outras desaparecem e retornam.

Diagnóstico das verrugas

Quando os médicos examinam um tumor sobre a pele, eles tentam determinar se se trata de uma verruga ou de um outro tipo de tumoração. Alguns tumores que podem assemelhar-se a verrugas são na verdade pólipos cutâneos, molas, calos, calosidades ou mesmo cânceres de pele. As verrugas são classificadas de acordo com a sua localização e a sua forma. Quase todo mundo apresenta verrugas comuns (verrucae vulgaris). Esses tumores firmes geralmente apresentam uma superfície rugosa. Eles são arredondados ou irregulares; são acinzentados, amarelos ou castanhos; e, comumente, possuem menos de 1 cm de diâmetro. Em geral, as verrugas ocorrem em áreas que são freqüentemente lesadas como, por exemplo, os dedos das mãos, em torno das unhas (verrugas periungueais), joelhos, face e couro cabeludo. Elas podem disseminar-se, mas as verrugas comuns nunca são cancerosas. As verrugas plantares localizam-se na planta do pé, onde elas são comumente achatadas pela pressão da marcha e são circundadas por uma pele espessa. Elas podem ser extremamente dolorosas. Ao contrário dos calos e das calosidades, as verrugas plantares tendem a sangrar através de muitos pontos minúsculos (como os pontos produzidos por um alfinete) quando o médico desbasta ou corta a superfície da lesão com um bisturi. As verrugas filiformes são pequenos tumores longos e estreitos, os quais geralmente localizam-se sobre as pálpebras, a face, o pescoço ou os lábios. As verrugas planas, as quais são mais comuns em crianças e adultos jovens, habitualmente ocorrem em grupos como manchas lisas, de cor amarelo pardo, sobretudo na face. O vírus que causa as verrugas úmidas (verrugas venéreas, condilomas acuminados) sobre os órgãos genitais é transmitido sexualmente.

Tratamento das verrugas

O tratamento das verrugas depende de sua localização, de seu tipo e de sua gravidade, assim como do seu tempo de existência. A maioria das verrugas comuns desaparece sem tratamento em 2 dias. Aplicações diárias de uma solução ou de um adesivo contendo ácido salicílico e ácido lático amolece a pele infectada, a qual pode ser raspada delicadamente para fazer com que a verruga desapareça mais rapidamente. O médico pode realizar um tratamento de congelamentos da verruga com nitrogênio líquido, mas pode ter que repetir o procedimento após 2 a 3 semanas, para que a verruga seja totalmente eliminada. A eletrodessecação (um tratamento que usa uma corrente elétrica) ou a cirurgia a laser destroem a verruga, mas estes dois procedimentos podem causar cicatrizes. Independente do método terapêutico, a verruga retorna em aproximadamente um terço dos casos. O médico também pode tratar as verrugas comuns com substâncias químicas (p.ex., ácido tricloroacético ou cantaridina) que destroem a verruga. No entanto, novas verrugas podem surgir em torno das bordas das antigas. As verrugas plantares são comumente amolecidas com ácido salicílico concentrado aplicado sob a forma de solução ou de adesivo. Este procedimento químico deve ser acompanhado pela aparação da verruga com um bisturi, pelo congelamento ou pela aplicação de outros ácidos. Os médicos podem utilizar outras técnicas (p.ex., injeção de substâncias químicas na verruga para destruí-la). No entanto, a cura das verrugas plantares é difícil. As verrugas planas são freqüentemente tratadas com agentes esfoliantes (p.ex., ácido retinóico ou ácido salicílico) que fazem a verruga desaparecer à medida que a pele descama.

Última Atualização: 19/11/2005



Molusco Contagioso


O molusco contagioso é uma infecção cutânea causada por um poxvírus que produz protuberâncias lisas, céreas e da cor da pele. Habitualmente, as protuberâncias possuem menos de 1,5 cm de diâmetro e apresentam uma minúscula depressão no seu centro. Algumas vezes, uma protuberância isolada pode atingir até 3,8 cm. O vírus que causa o molusco é contagioso. Ele dissemina-se através do contato direto com a pele e é freqüentemente transmitido sexualmente. O vírus pode infectar qualquer parte da pele, embora seja mais freqüente na virilha e na região pubiana (embora não ocorra geralmente no pênis ou na vagina). Geralmente, as lesões não são pruriginosas e são indolores, podendo ser descobertas acidentalmente durante um exame físico. Freqüentemente, essas protuberâncias apresentam uma depressão central cheia de um material branco pastoso, tornado fácil o diagnóstico do molusco contagioso pelo médico. Os tumores podem ser tratados através do congelamento ou da remoção do seu núcleo com uma agulha.

Última Atualização: 19/11/2005


Infecções Parasitárias (Parasitoses)


A maioria dos parasitas da pele são minúsculos insetos ou vermes que escavam a pele e a tornam seu habitat. Alguns parasitas vivem na pele durante parte dos seus ciclos de vida, enquanto outros são residentes permanentes que depositam seus ovos e se reproduzem na pele.

Escabiose (sarna)

A escabiose (sarna) é uma infestação por ácaros que produz diminutas pápulas avermelhadas e um prurido intenso. A sarna é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. A infestação é facilmente transmitida de pessoa para pessoa através do contato físico, freqüentemente afetando toda a família. Os á caros, que são dificilmente observados a olho nu, com freqüência se disseminam quando as pessoas dormem juntas. Raramente, os ácaros podem disseminar-se através de vestimentas, de roupas de cama e de outros objetos compartilhados. A sua sobrevida é curta e a lavagem normal das roupas os destrói. O ácaro-fêmea cava túneis sob a camada superior da pele e deposita seus ovos nessas escavações. Após poucos dias, os ácaros jovens (larvas) eclodem. A infecção causa um prurido intenso, provavelmente em decorrência de uma reação alérgica aos ácaros.

Sintomas da escabiose

A principal característica da escabiose é o prurido intenso que comumente piora à noite. As escavações dos ácaros aparecem como linhas ondulosas de até 1,5 cm de comprimento que, algumas vezes, apresenta uma pequena pápula em uma extremidade. As escavações são mais comuns e o prurido é mais intenso nas membranas interdigitais dos dedos das mãos, nos punhos, nos cotovelos, nas axilas, em torno dos mamilos das mamas das mulheres, nos órgãos genitais dos homens (pênis e bolsa escrotal), ao longo da linha da cintura e sobre a parte inferior das nádegas. A face raramente é infectada, exceto em crianças pequenas, nas quais as lesões podem parecer bolhas cheias de água. Com o passar do tempo, as escavações tornam-se difíceis de serem visualizadas porque elas são mascaradas pela inflamação provocada pelo coçar.

Diagnóstico e Tratamento da escabiose

Geralmente, a combinação do prurido e das escavações é suficiente para o médico estabelecer o diagnóstico de escabiose. No entanto, ele pode realizar um raspado das escavações, examinando o material ao microscópio para confirmar a presença de ácaros.

A escabiose pode ser curada com a aplicação de um creme contendo permetrina ou uma solução de lindano. Estes dois produtos são eficazes, mas o lindano tende a irritar a pele, é mais tóxico e não é adequado para ser utilizado em crianças pequenas. Alguns ácaros que causam a escabiose tornaram-se resistentes à permetrina. Algumas vezes, um creme contendo corticosteróides (p.ex., hidrocortisona) é utilizado durante alguns dias após o tratamento com permetrina ou com lindano para reduzir o prurido até todos os ácaros serem eliminados. Os familiares e os indivíduos que tiveram contato íntimo com uma pessoa infectada (p.ex., contato sexual) devem ser tratados simultaneamente. A limpeza muito minuciosa e a fumigação das roupas de cama ou do vestuário não são obrigatórias.


Última Atualização: 20/10/2005

Pediculose (Infestação por Piolhos)

A infestação por piolhos (pediculose) causa prurido intenso e pode afetar praticamente qualquer área da pele. Os piolhos são insetos sem asas (ápteros), dificilmente visíveis, que são transmitidos facilmente de pessoa para pessoa através do contato corpóreo e do compartilhamento de vestimentas e de outros objetos de uso pessoal. Os piolhos encontrados na cabeça são muito semelhantes aos encontrados no corpo, mas, na verdade, são insetos de diferentes espécies. Os piolhos encontrados na área pubiana (os "chatos") apresentam um corpo mais curto e mais largo que as outras duas espécies. A forma mais arredondada faz com que eles se pareçam com caranguejos.

Os piolhos da cabeça e os pubianos vivem diretamente sobre o indivíduo. Os piolhos do corpo também são freqüentemente encontrados nas vestimentas que entram em contato com a pele. Os piolhos da cabeça são transmitidos através do contato pessoal e do compartilhamento de pentes, escovas, chapéus e outros objetos de uso pessoal. Algumas vezes, a infestação estende-se à s sobrancelhas, aos cílios e à barba. Os piolhos da cabeça são um tormento para as crianças em idade escolar de todos os níveis sociais.

Eles ocorrem menos comumente em indivíduos negros. Os piolhos do corpo não são tão facilmente transmitidos quanto os piolhos da cabeça. Geralmente, eles infestam os indivíduos com maus hábitos de higiene e aqueles que vivem em espaços limitados ou em instituições populosas. Esses piolhos podem transmitir doenças como o tifo, a febre da trincheira e a febre recidivante. Os piolhos pubianos, que infestam a área genital, são geralmente transmitidos durante as relações sexuais.

Sintomas da pediculose

A infestação por piolhos causa um prurido intenso. O coçar intenso freqüentemente lesa a pele e pode acarretar infecções bacterianas. Algumas vezes, os linfonodos localizados na parte posterior do pescoço aumentam de volume em decorrência de uma infecção do couro cabeludo. As crianças dificilmente percebem a presença de piolhos da cabeça ou podem apresentar uma irritação discreta do couro cabeludo. O prurido causado pelos piolhos do corpo geralmente é mais intenso nos ombros, nas nádegas e no abdômen. Os piolhos pubianos causam prurido em torno do pênis, da vagina e do ânus.

Diagnóstico e Tratamento da pediculose

Os piolhos-fêmeas depositam ovos branco-acinzentados (lêndeas) que podem ser visualizados como diminutos glóbulos firmemente aderidos ao cabelo. Os piolhos do corpo adultos e seus ovos são encontrados não apenas nos pêlos do corpo, mas também nas costuras de vestimentas que entram em contato com a pele. Os piolhos pubianos disseminam uma manchas minúsculas de cor castanho escuro (excrementos dos piolhos) nas roupas íntimas (nas áreas onde elas entram em contato com os órgãos genitais e com o ânus). Os piolhos pubianos são particularmente difíceis de serem encontrados e podem aparecer como diminutas pintas azuladas sobre a pele. Ao contrário de outros piolhos, as lêndeas surgem na base dos pêlos, bem próximas da pele.

Das medicações contra os piolhos, a permetrina é a mais segura, mais eficaz e mais agradável de usar. O lindano, que pode ser aplicado como creme, loção ou xampu, também cura a infestação de piolhos, mas não é adequado para crianças, pois, em raros casos, pode causar complicações neurológicas. A piretrina também é utilizada algumas vezes. Todas essas medicações podem ser irritantes e exigem uma segunda aplicação após 10 dias para matar os piolhos recém-nascidos. É difícil tratar a infestação dos cílios e das pálpebras. Geralmente, os parasitas são removidos com o auxílio de uma pinça. A vaselina pura pode matar ou enfraquecer os piolhos localizados nos cílios. Quando as fontes de infestação (pentes, chapéus, vestimentas e roupas de cama) não são descontaminadas (aspiradas, lavadas com água e sabão, passadas a ferro ou vapor quente, ou lavadas a seco), os piolhos podem permanecer vivos nesses objetos e reinfectar o indivíduo.

Erupção Serpiginosa ("bicho geográfico")

A erupção serpiginosa (larva migrans cutânea) é uma infecção causada por ancilostomídeos, transmitida do solo quente e úmido à pele exposta. A infecção é causada por um ancilostomídeo que normalmente habita nos cães e gatos. Os ovos do parasita são depositados no solo através das fezes de cães e gatos. Quando a pele nua entra em contato com o chão (p.ex., quando o indivíduo anda descalço ou toma banho de sol), o verme penetra na pele. Iniciando a partir do ponto da infestação (geralmente os pés, os membros inferiores, as nádegas ou as costas), o ancilostomídeo avança aleatoriamente, produzindo uma erupção serpiginosa e filiforme. A infecção produz um prurido intenso. Uma preparação líquida de tiabendazol aplicada à área trata a infecção de forma eficaz.

Última Atualização: 20/10/2005