Câncer de Pele

Câncer de Pele

"Pintas" ou sinais escuros são muito freqüentes nos seres humanos e, quanto mais clara a pele e mais sol a pessoa se expôs na infância e adolescência, mais pintas poderá apresentar na fase adulta. Estas pintas escuras podem ser câncer de pele (tipo melanoma). A melhor maneira de prevenir a maioria dos tipos de câncer de pele na fase adulta é evitar queimaduras solares desde a infância, usando filtros solares adequados e procurando sempre a orientação do dermatologista.

Devemos observar e retirar todas as "pintas" que sofram modificações (Regra ABCD - Assimetria, Bordas irregulares, mais de uma Cor e Diâmetro superior a 6mm), aquelas com evolução num curto período de tempo (semanas ou meses); aquelas que coçam, ardem ou doem; sinais escuros nas plantas dos pés, palmas das mãos, couro cabeludo, dentro da boca ou nas mucosas dos genitais; "pintas" que sangram, ou feridas que não cicatrizam (no dorso do nariz, lábios, bochechas, colo, mãos, etc...). Sinais de nascença são tão ou mais perigosos que aqueles que surgem na juventude e devem ser examinados e retirados sempre que possível.

Em geral, toda "pinta" escura apresenta a possibilidade de se tornar câncer de pele. Felizmente tal transformação ocorre apenas numa minoria delas, o que não significa que devemos ignorá-las. Uma vez que estas lesões estão visíveis e em local de fácil acesso (a pele), isto permite a vigilância constante e sua retirada quando necessária. Algumas "pintas" devem ser retiradas, mas não todas. Devem ser removidas apenas as lesões suspeitas, evitando cirurgias desnecessárias e as cicatrizes inestéticas. Entretanto, a experiência diz que quando uma pessoa "cisma" com uma "pinta", vale a pena retirá-la e enviá-la para exame anatomopatológico. É bom ressaltar que muitas "pintas" ou sinais podem ser lesões benignas denominadas nevos melanocíticos. Várias outras lesões que surgem na pele podem ser semelhantes aos nevos melanocíticos e devem ser cuidadosamente examinadas. O dermatologista é o profissional qualificado para avaliar se uma lesão realmente deve ou não ser removida, ou biopsiada.


De uma maneira prática, devem ser retiradas:

  • Todas as "pintas" que sofram modificações (crescimento ou mudança de cor) num curto período de tempo (semanas ou meses);
  • Aquelas que coçam, ardem ou doem;
  • Sinais escuros nas plantas dos pés, palmas das mãos, couro cabeludo, dentro da boca ou nas mucosas dos genitais;
  • "Pintas" que sangram.
  • Sinais de nascença são tão ou mais perigosos que aqueles que surgem na juventude e podem ser retirados sempre que o resultado estético for vantajoso.


Três tipos mais frequentes de câncer de pele

Carcinoma basocelular (CBC): O carcinoma basocelular é câncer da pele (não melanoma) mais freqüente, representando cerca de 70% dos cânceres de pele. Sua ocorrência tem relação direta com a exposição cumulativa da pele à radiação solar durante a vida. A proteção solar é a melhor forma de prevenir o seu surgimento. Por ser um tumor de crescimento muito lento e que não dá metástases (não envia células para outros órgãos), é o de melhor prognóstico entre os cânceres da pele. A maioria das lesões aparece na face. Sua apresentação mais típica é uma lesão de cor rósea e aspecto "perolado", com finos vasos sanguíneos na superfície e que cresce progressiva e lentamente. Pode ulcerar ou sangrar devido a pequenos traumatismos.



Carcinoma espinocelular (CEC): O carcinoma espinocelular é um câncer de pele (não melanoma), representando cerca de 20 a 25% dos cânceres da pele. Ele surge em áreas de pele sadia ou previamente comprometidas por cicatrizes de queimaduras antigas, feridas crônicas ou lesões decorrentes do efeito cumulativo da radiação solar sobre a pele, como as queratoses solares (pequenas asperezas da pele que não somem), e cicatrizes de radioterapias. Tem crescimento mais rápido que o carcinoma basocelular, atinge a pele e as mucosas (lábios, mucosa bucal e genital) e, se não for tratado precocemente, pode enviar metástases para outros órgãos. A proteção solar é a melhor forma de prevenir o seu surgimento, pois sua localização mais freqüente é em áreas de pele expostas continuamente ao sol. São lesões pequenas, endurecidas que têm crescimento rápido formando lesões elevadas ou vegetantes (aspecto de couve-flor). É freqüente haver ulceração (formação de feridas) com sangramento. A incidência de câncer de pele não melanoma quase triplicou em mulheres com menos de 40 anos nas últimas três décadas. De acordo com pesquisadores da Mayo Clinic em artigo publicado no Journal of the American Medical Association, este é um sinal de que o hábito do bronzeamento ainda é popular, apesar das advertências sobre os perigos para a saúde. O bronzeamento da pele é percebido como sinal de saúde e de beleza, mas é importante mudar esta mensagem. Mulheres jovens ainda usam bronzeamento artificial ou se deitam ao sol, apesar dos avisos sobre o perigo da ação cumulativa dos raios solares para a saúde (veja em Bronzeamento Artificial).

Entre homens com menos de 40 anos, a incidência de carcinoma basocelular não aumentou, apesar da taxa de carcinoma espinocelular ter aumentado. Os homens não prestam tanta atenção à pele como as mulheres e podem não reconhecer lesões existentes, não procurando assistência médica precoce. O número de casos também aumentou em pessoas acima de 50 anos. Como estes tumores geralmente ocorrem em pessoas com mais de 50 anos, pouca atenção tem sido dada ao número de casos em jovens.

Estes são os dois tipos mais comuns de câncer de pele e podem ser removidos mais facilmente que o melanoma maligno, o mais agressivo e mortal câncer de pele.

Melanoma Maligno: É o mais agressivo e mortal câncer de pele (não existe o melanoma benigno), com alto potencial de produzir metástases. Pode levar à morte se não houver diagnóstico e tratamento precoces. É mais freqüente em pessoas de pele clara e sensível. Normalmente, inicia-se com uma pinta escura. Felizmente sua incidência é baixa em relação aos outros tipos de câncer de pele. O diagnóstico do melanoma é feito examinando-se as pintas, que podem mostrar sinais como mudança de cor e aspecto. Para examiná-las e constatar alguma irregularidade, usa-se a Regra ABCD, que significa:

Assimetria: uma metade da pinta é diferente da outra.
B
orda irregular: contornos mal definidos.
Cor variável: muitas tonalidades numa mesma lesão (preta, castanha, branca, vermelha, azulada).
D
iâmetro: maior que 6,0 mm/ (diâmetro de um lápis).


 









 

 

 























Última atualização: 31/10/05


OMS: aumento da incidência de câncer

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma declaração sobre os perigos do bronzeamento artificial e advertiu que ninguém com menos de 18 anos de idade deve usar leitos de bronzeamento. No mundo todo um em cada três casos de câncer é relacionado à pele. Por estimativas da OMS, 132.000 casos de melanoma maligno (66.000 óbitos) e mais de dois milhões de casos de outros casos de câncer de pele ocorrem anualmente. Nos EUA, um em cada dois casos de câncer é relacionado à pele (a estimativa de cânceres de pele nos EUA anualmente é de 1,1 milhão). Estes números estão em elevação e a OMS tem expectativa de que a epidemia de câncer de pele acelere. Estima-se que a taxa anual de incidência para melanoma tenha mais que triplicado nos últimos 45 anos na Noruega e na Suécia e que tenha duplicado, nos últimos 30 anos, nos EUA. A OMS atribui uma parte deste aumento ao uso crescente de estabelecimentos que realizam bronzeamento artificial.

O objetivo primário do esforço atual da OMS é proteger os jovens. As queimaduras solares na infância e na adolescência têm demonstrado aumentar o risco de melanoma maligno mais tarde na vida. Em um estudo, 26% dos usuários de leitos de bronzeamento no Canadá tinham apresentado efeitos adversos, inclusive queimaduras.

Jovens acanhados por sua aparência na Austrália, Nova Zelândia, América do Norte e norte da Europa estão entre os consumidores mais ávidos da indústria de muitos bilhões de dólares; 25% de todos os usuários de leitos de bronzeamento estão na faixa etária vulnerável e impressionável de 16 a 24 anos. Em pesquisas recentes, 47% das mulheres com 18 a 19 anos nos Estados Unidos2 e 57% dos adolescentes de Estocolmo usavam serviços de bronzeamento. Muitos usam os leitos de bronzeamento antes de viagens de lazer na crença errônea de que isto os protegerá de queimaduras solares (a proteção real adquirida se aproxima de SPF 3).

A OMS incentiva os governos a formularem e reforçarem as leis para controle do uso de operações de bronzeamento. No presente, contudo, somente alguns países têm leis regulamentares: Bélgica, França e Suécia limitam a proporção máxima de UVB a 1,5% da saída de UV (semelhante à radiação solar). A França exige que todos os aparelhos de UV sejam registrados, proíbe o uso por menores, obriga que pessoal treinado supervisione todos os estabelecimentos comerciais de bronzeamento e os proíbe de alegar qualquer benefício à saúde. O estado da Califórnia também proíbe o uso de salões de bronzeamento por menores. Muitas agências governamentais com responsável por saúde ambiental e inspeções de segurança são sobrecarregadas com outros deveres, deixando a indústria do bronzeamento sem supervisão e dando a falsa impressão de que o bronzeamento sem sol seja seguro.

A recomendação da OMS faz parte de seus esforços globais contra a hiperexposição à radiação UV. A radiação UVB com um comprimento de onda curto (280-315 nm) é sabidamente um fator de risco para câncer de pele, embora novas pesquisas sugiram que a contribuição da exposição solar ainda não foi completamente entendida. O bronzeamento artificial acrescenta-se à carga total de UV individual e não há evidências de que tal exposição seja menos prejudicial. As ondas de comprimento UVA mais longas (314-400 nm) que constituem a maior parte da radiação dos leitos de bronzeamento penetram mais profundamente na pele e têm sido implicadas em risco de câncer de pele. Alguns leitos de bronzeamento podem emitir níveis de radiação UV muitas vezes mais fortes do que o sol do meio-dia no verão. Além de promover câncer de pele, queimaduras, perda de elasticidade, rugas e efélides, a exposição excessiva à UV também pode prejudicar os olhos e comprometer a função imunológica. Uns 20 milhões de pessoas no mundo todo ficam cegas por catarata, 20% das quais, estima a OMS, resultaram de exposição à UV.

Comentário: Há benefícios no bronzeamento artificial? Muitos consumidores alegam que a exposição à UV produza um senso de bem-estar psicológico, que poderia ter alguma base fisiológica, embora o mecanismo seja desconhecido. A suplementação na dieta é o melhor modo de abordar déficits na síntese de vitamina D, e a fototerapia para distúrbios da pele deve sempre ser realizada sob supervisão médica. Para os que buscam um aspecto bronzeado, novos métodos de aplicar loções de bronzeamento sem sol dão um efeito bronzeado sem mutações da pele.

"Pintas" e sinais escuros são muito freqüentes nos seres humanos e, quanto mais clara a pele e mais sol a pessoa se expôs em sua infância e adolescência, mais pintas o indivíduo deverá ter. Em geral, toda "pinta" apresenta a possibilidade de transformação em câncer da pele. Felizmente, tal transformação ocorre apenas numa minoria dos casos. O que não significa que não devemos estar atentos para esta possibilidade. Na realidade, uma vez que estas lesões estão visíveis e em local de fácil acesso (a pele), isto permite a sua retirada, quando necessária, evitando problemas maiores para a saúde. É exatamente por estes motivos que algumas "pintas" ou sinais devem ser retirados, mas não todos. Devem ser removidas apenas as lesões que justifiquem a remoção, evitando cirurgias desnecessárias e as cicatrizes resultantes.

De uma maneira prática, devem ser retiradas
todas as "pintas" que sofram modificações (crescimento ou mudança de cor) num curto período de tempo (semanas ou meses); aquelas que coçam, ardem ou doem; sinais escuros nas plantas dos pés, palmas das mãos, couro cabeludo, dentro da boca ou nas mucosas dos genitais; "pintas" que sangram. Sinais de nascença são tão ou mais perigosos que aqueles que surgem na juventude e podem ser retirados sempre que o resultado estético for vantajoso. O dermatologista é o profissional qualificado para avaliar se uma lesão realmente deve ou não ser removida. Entretanto, a experiência diz que quando uma pessoa "cisma" com uma "pinta", vale a pena retirá-la.

É bom ressaltar que as "pintas" ou sinais a que estamos nos referindo são as lesões denominadas nevos melanocíticos. Várias outras lesões que surgem na pele podem ser semelhantes aos nevos melanocíticos, mas apenas estes devem ser removidos de acordo com as orientações acima.


Última atualização: 25/10/2005


Vacina contra melanoma

Tendo em vista as recentes notícias que circularam na imprensa e na Internet, a respeito de vacina utilizada no tratamento de pacientes portadores de melanoma (forma agressiva de câncer de pele), câncer de rim e com doença metastática, apresentamos os seguintes esclarecimentos:

1. A vacina em questão foi desenvolvida no Hospital Sírio-Libanês pelos Dr. Luiz Câmara Lopes (Laboratório de Patologia Clínica e Molecular do Hospital Sírio-Libanês) e Dr. José Alexandre Barbuto (ICB-USP), tendo a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, através do Instituto de Ensino Pesquisa (IEP) e o Conselho Nacional de Pesquisa (CONEPE), com o patrocínio da Fapesp, tendo seus resultados sido publicados na Revista Cancer Immunology, Immunotherapy no dia 4 de junho de 2004, encerrando, com tal publicação, o acordo de pesquisa e cooperação existente entre as partes retro mencionadas.

2. Tal vacina, denominada Hybricell é comercializada pela Genoa - Biotecnologia S.A, que tem dentre os seus dirigentes o Dr. Luiz Câmara Lopes, responsável por sua aprovação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

3. A indicação de tal tratamento é ato médico, portanto atribuído ao médico do paciente portador dos tipos de câncer mencionados, podendo ser aplicada em clínicas oncológicas ou qualquer hospital, bastando, para tanto, o contato com seus fornecedores - Genoa Biotecnologia S.A

4. O Hospital Sírio-Libanês, com exceção da fase de pesquisa, não tem qualquer relacionamento societário ou acordo para a comercialização de tal vacina, limitando-se a proceder à sua aplicação nos pacientes atendidos em suas instalações, quando assim prescrito pelo médico do referido paciente, não se responsabilizando, pois, pela sua indicação ou pelos resultados do procedimento.

Mauricio Ceschin
Superintendente corporativo Sociedade Beneficente de Senhoras - Hospital Sírio-Libanês

Última atualização: 23/11/2005


Melanoma maligno em pacientes pediátricos e adolescentes

Pesquisadores ligados à Universidade de Montreal publicaram, recentemente, no Journal of the American Academy of Dermatology, uma revisão de todos os casos de melanoma maligno em pacientes com idade inferior a 17 anos avaliados no Hospital Sainte Justine, um centro terciário de cuidados pediátricos, entre 1980 e 2002. Os prontuários médicos e as características histológicas de todos os casos foram revisados. Treze casos de melanoma maligno foram identificados, sendo quatro pacientes do sexo masculino e nove pacientes do sexo feminino. Cinqüenta e três por cento dos pacientes eram pré-púberes. Nenhum dos pacientes apresentava qualquer condição predisponente para o surgimento da neoplasia (por exemplo: nevo gigante congênito, síndrome de nevos displásicos ou xeroderma pigmentoso). Um paciente tinha sido submetido previamente a tratamento com quimioterapia por um tumor maligno pleuropulmonar indiferenciado (blastoma) e outro paciente era portador da Síndrome de Down.

A razão mais freqüente para a consulta inicial foi o aumento recente do tamanho da lesão. Três pacientes apresentaram lesões semelhantes a granuloma piogênico. Oitenta e cinco por cento dos melanomas observados eram do tipo nodular. A espessura tumoral variou entre 0 a 6 mm, com espessura média e mediana iguais a 2,8 e 3,2 mm, respectivamente. A taxa geral de sobrevida em cinco anos foi igual a 58,8%. O desconhecimento e o diagnóstico tardio proporcionaram aumento da incidência de melanomas espessos e intermediários em pacientes pediátricos.

Os pesquisadores concluíram que, como a maioria dos melanomas na infância e adolescência ocorre de novo, os médicos deveriam sempre considerar melanoma maligno como possível diagnóstico diferencial de qualquer lesão suspeita em pacientes pediátricos e adolescentes, mesmo na ausência de fator predisponente identificado.

Malignant melanoma in childhood and adolescence: Report of 13 cases - Journal of the American Academy of Dermatology 2005;53(5):816-822

Última atualização: 23/11/2005


Paradoxo solar?

Décadas de dados epidemiológicos estabeleceram a relação entre excessiva exposição ao sol e risco de melanoma. Esses resultados formam a base das atuais estratégias de prevenção de melanoma, a saber, proteção solar. No entanto, o papel da exposição solar na mortalidade por melanoma não foi bem estudado. Uma suposição fundamental é que a exposição solar module o risco inicial para o desenvolvimento de melanoma, mas não o risco de metástase, uma vez formado o tumor.

Num estudo de melanoma do tipo casos-controle, baseado em população, em Connecticut, 528 pacientes foram acompanhados por mais de quinze anos. Durante esse período, 58 (11%) morreram de melanoma. A análise univariada mostrou que os pacientes com histórias de queimadura solar intensa ou exposição intermitente a altos níveis de sol tiveram probabilidade significativamente menor de morrer (índices de risco de 0,5 e 0,6, respectivamente) do que aqueles que jamais tinham ficado queimados pelo sol e os com baixa exposição. A elastose solar (um indicador histológico de comprometimento cutâneo pelo sol) também se associou inversamente com a mortalidade por melanoma (IR de 0,5). O interessante é que a conscientização sobre a pele (respostas positivas a "você já pensou na sua pele? Como é a aparência dela? Houve mudanças ou quaisquer marcas anormais?"), mas não o auto-exame ou o exame feito pelo médico, também se associou à diminuição da mortalidade. Em análise multivariada, a elastose solar e a conscientização sobre a pele, mas não história de exposição ao sol, continuaram a ser preditores de sobrevida. Outros preditores conhecidos, como tumores mais espessos e ulceração, também foram validados neste estudo.

Comentário: Este estudo intrigante sugere que a exposição intensa e intermitente ao sol protege, de algum modo, contra morte, embora o risco para desenvolver melanoma aumente com a exposição. É difícil compreender como a exposição intensa ao sol antes da formação do melanoma pode modular a sobrevida depois do desenvolvimento do tumor. Filtros solares não foram considerados; os dados foram colhidos na década de 1980, quando poucos os usavam de modo consistente. A incidência de melanoma elevou-se desproporcionalmente com a mortalidade nas últimas décadas; alguns têm postulado que a exposição ao sol possa contribuir para a formação de melanomas menos agressivos. Neste paradigma, os melanomas letais de crescimento mais rápido podem ter menos relação com a exposição ao sol. Os autores também consideraram a vitamina D e o aumento da melanização como mecanismos protetores, e a elastose solar pode produzir um escudo antimetastático. Essas possibilidades continuam hipotéticas até que sejam realizados mais estudos (H Tsao, MD, PhD).

Berwick M et al. Sun exposure and mortality from melanoma. J Natl Cancer Inst 2005; 97:195-9.

Última atualização: 09/01/2006


Autofagia celular pode prevenir doenças

Novo tipo de morte programada ajudaria a manter as células em funcionamento, numa espécie de faxina bioquímica. A autofagia celular, na qual as células reciclam suas próprias organelas e proteínas, pode ser a chave para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer, as doenças degenerativas e as infecções. Esse mecanismo interno, exercido principalmente em situações de fome e de enfermidade, é considerado o segundo tipo de morte celular programada (PCD). A apoptose, primeira forma de morte celular programada identificada, passa a ser chamada de PCD Tipo I.

Na autofagia (PCD Tipo II), as células se assemelham a pequenas cápsulas com dupla membrana. Essas vesículas circundam e mastigam partes dos componentes físicos celulares. Vesículas autofágicas têm sido vistas em células sob morte celular programada, mas não está claro ainda se elas estão tentando proteger a célula da apoptose ou apressar sua morte.

Esse processo foi identificado em diferentes espécies, entre elas a levedura, o fungo usado como fermento do pão. Segundo pesquisadores da Universidade de Michigan, que tiveram suas pesquisas publicadas na capa da revista Science do dia 5 de novembro de 2005, ainda há muito estudo a ser feito para que a autofagia possa ser entendida como algo bom ou ruim. As pesquisas caminham em ambos os sentidos. "A autofagia é apenas um jeito de se livrar das partes danificadas da célula sem jogar tudo fora. Nas células nervosas, por exemplo, poderia haver uma autofagia para corrigir problemas sem destruir a célula", diz o biólogo Daniel Klionsky.

Altos níveis de vesículas autofágicas também têm sido notados em algumas formas de doenças degenerativas musculares e nervosas, como Huntington, Parkinson, Alzheimer e ALS (doença de Lou Gehrig). Mas não está claro por que as vesículas estão se acumulando. Elas podem estar sendo formadas porque não estão sendo usadas, ou pode ser que as células estejam produzindo mais vesículas. Atualmente, os pesquisadores são capazes de identificar genes autofágicos em humanos e em outros organismos, incluindo ratos.

Os cientistas que pesquisam o câncer têm tentado ligar a apoptose à autofagia de células cancerígenas. A autofagia provavelmente pode promover ou prevenir câncer. Ela atua como supressora de tumores quando limita o tamanho da célula e remove os componentes danificados que poderiam gerar radicais livres ou criar mutações. Mas a autofagia pode também proteger as células cancerígenas contra alguns tratamentos e poderia fazer as células viverem mais ao reciclar suas organelas dentro do tumor.

Última atualização: 15/03/2006


Auto-exame da pele

Instituto Nacional de Câncer

O que é o auto-exame da pele?
É um método simples para detectar precocemente o câncer de pele, incluindo o melanoma. Se diagnosticado e tratado enquanto o tumor ainda não invadiu profundamente a pele, o câncer de pele pode ser curado.

Quando fazer?
Ao fazer o auto-exame regularmente, você se familiarizará com a superfície normal da sua pele. É útil anotar as datas e a aparência da pele em cada exame.

O que procurar?
·Manchas pruriginosas (que coçam), descamativas ou que sangram.
·Sinais ou pintas que mudam de tamanho, forma ou cor.
·Feridas que não cicatrizam em 4 semanas.

Deve-se ter em mente o ABCD da transformação de uma pinta em melanoma, como descrito abaixo:
·Assimetria - uma metade diferente da outra.
·Bordas irregulares - contorno mal definido.
·Cor variável - várias cores numa mesma lesão: preta, castanho, branca, avermelhada ou azul.
·Diâmetro - maior que 6mm.

Como fazer?
1. Em frente a um espelho, com os braços levantados, examine seu corpo de frente, de costas e os lados direito e esquerdo.
2. Dobre os cotovelos e observe cuidadosamente as mãos, antebraços, braços e axilas.
3. Examine as partes da frente, detrás e dos lados das pernas além da região genital.
4. Sentado, examine atentamente a planta e o peito dos pés, assim como os entre os dedos.
5. Com o auxílio de um espelho de mão e de uma escova ou secador, examine o couro cabeludo, pescoço e orelhas.
6. Finalmente, ainda com auxílio do espelho de mão, examine as costas e as nádegas.

ATENÇÃO: Caso encontre qualquer diferença ou alteração, procure orientação médica. Evite exposição ao sol das 10h às 16h e utilize sempre filtros solares com fator de proteção 15 ou mais, além de chapéus, guarda-sóis e óculos escuros.

Fonte: Instituto Nacional de Câncer - www.inca.gov.br

Última atualização: 13/08/2006