Estudo
sobre exercícios físicos na infância traz conclusões
surpreendentes
Um
grupo de especialistas renomados internacionalmente publicou dia 21
de julho de 2006, no periódico britânico The
Lancet, as conclusões de um importante estudo,
colocando em xeque normas internacionais que consideram uma hora por
dia de exercícios suficiente para prevenir doenças cardíacas
e a obesidade infantil. A pesquisa monitorou 1.730 crianças em
escolas na Dinamarca, Estônia e Portugal, com medidores de atividade
durante quatro dias, incluindo um final de semana. Segundo o estudo,
os melhores índices de saúde (como pressão sangüínea,
metabolismo) foram registrados em crianças de nove anos que realizaram
em média 116 minutos de atividade moderada a intensa e em adolescentes
de 15 anos que praticaram exercícios por 88 minutos diários.
Isto corresponde a caminhar a uma velocidade média de 4 km/h
- o passo normal de um ser humano - por cerca de 90 minutos. O estudo
chama a atenção para as crianças que não
conseguirem alcançar sequer esta meta, associando esses dados
ao crescente sedentarismo infantil. De acordo com Lars Bo Anderson,
professor da Escola Norueguesa de Ciências do Esporte, em Oslo,
e principal coordenador da pesquisa, os 90 minutos diários de
exercício não precisam ser realizados de uma só
vez, ou seja, as crianças podem espaçar sua atividade
física ao longo do dia.
Mas, infelizmente, como alerta a Organização Mundial
da Saúde (OMS), a meninada está aproveitando
cada vez menos os espaços onde poderiam brincar e realizar suas
atividades físicas. Engana-se quem pensa que computadores, TV,
games são os únicos vilões... A OMS mostra que
"a crescente motorização, os riscos de acidente de
trânsito e o desaparecimento, ou a percepção do
desaparecimento de espaços públicos seguros, onde as crianças
possam caminhar, brincar ou pedalar em segurança e tranquilidade,
parecem ser fatores importantes que restringem a mobilidade infantil
nos dias de hoje". A entidade afirma que: "a construção
de playgrounds não é a solução. Ao promover
atividades rotineiras na vida das crianças, como caminhar e pedalar
pelo bairro, ou entre a casa e a escola por vias livres e seguras, formuladores
de políticas públicas aumentam as oportunidades para elas
se moverem de maneira independente, elevando seu seu nível de
atividade física".
Resultados
de estudos semelhantes, quando pesquisadores também acompanharam
as crianças através de aparelhos tomando como base estimativas
de exercício físico realizadas pelas próprias crianças
ou por seus pais, confirmam que as atividades físicas realizadas
eram insuficientes para garantir a saúde. Para o grupo de cientistas
responsável pelo artigo no Lancet, as conclusões comprovam
(e reiteram) a importância da atividade física para crianças
e adolescentes, independente dos hábitos alimentares ou do estilo
de vida da família. Os cientistas mostram que a associação
entre freqüência das atividades físicas e riscos para
distúrbios cardiovasculares, entre as crianças pesquisadas,
ocorreu "independente do grau da presença ou não
da obesidade. Ou seja, foi similar tanto para crianças magras
como para aquelas que estavam acima do peso". O alerta do relatório
para a tomada de decisões práticas e realistas é
direto e objetivo: "a prevalência de obesidade em jovens
demanda ações preventivas focadas em mudanças comportamentais,
modificação de hábitos alimentares e o incentivo
à atividade física moderada regular". E conclui:
"as sementes da morbidez na idade adulta, como doenças
vasculares e metabolismo alterado, são plantadas na infância."
Última
atualização: 13/09/2006
Envelhecimento
na Mulher
Efeitos do hipoestrogenismo e do envelhecimento sobre a pele
Este artigo consiste numa revisão da literatura
sobre os efeitos de diversos fatores influenciadores do envelhecimento
cutâneo, incluindo hipoestrogenismo.
Introdução
O
climatério corresponde a um período de transição
entre a menacme e a senilidade sendo devido, basicamente, ao gasto progressivo
dos folículos ovarianos até que ocorra seu esgotamento,
quando então se instala como resultante, o hipoestrogenismo
e a menopausa. Os limites do climatério não
são claramente estabelecidos, entretanto, acredita-se que o início
ocorra ao redor dos 40 anos e o término, aos 60 - 65 anos de
idade, podendo ser classificado em: pré, peri e pós-menopausal.
Por outro lado, sabe-se que o último período menstrual
que caracteriza a menopausa ocorre, em média, entre os 45 e 54
anos; em nosso meio, entre os 45 e 50 anos.
Isso significa que a mulher irá
viver cerca de um terço de sua vida (20 a 30 anos) no período
denominado climatério. O hipoestrogenismo da pós-menopausa
tem sido cada vez mais relacionado ao aparecimento de diversos sinais
e sintomas, implicando na piora da qualidade de vida (Sá e cols.,
1996).
À despeito da relativa
pequena importância atribuída às mucosas, pele e
seus anexos na pós-menopausa, os mesmos também sofrem
importantes alterações influenciadas pelo hipoestrogenismo
que poderão interferir no bem-estar da mulher. Essas alterações
parecem ser potencialmente reversíveis com a instituição
da TRH. Embora existam várias referências a esse respeito
na literatura científica, ainda existem certas controvérsias
sobre as influências da TRH sistêmica na pele em mulheres
menopausadas.
Considerações
gerais sobre a pele
Maior
órgão do corpo humano, a pele tem participação
importante na proteção contra agressões do meio
ambiente, impedindo a perda de fluidos corpóreos essenciais,
a invasão de agentes tóxicos, microorganismos e quantidades
excessivas de radiação ultravioleta, protegendo contra
correntes elétricas de baixa voltagem, forças mecânicas
e temperaturas elevadas. A pele é
composta basicamente, por duas camadas principais: a epiderme com sua
membrana basal e a derme, abaixo das quais, encontra-se o tecido adiposo.
A epiderme é epitélio estratificado,
no qual se reconhecem distintas camadas celulares; ela está em
contato direto com o meio ambiente, sendo formada por camadas ordenadas
de células chamadas queratinócitos,cuja função
básica consiste em sintetizar queratina. A
derme é a principal camada da pele e, embora também apresente
diversos tipos de células, é muito mais fibrosa que celular;
seu mais importante constituinte são as fibras colágenas
e elásticas (Arnold e cols.,1990).
As fibras colágenas
A pele humana contém nove
diferentes tipos de colágeno, sendo que aproximadamente 80% corresponde
ao tipo I e 15% ao tipo III. O colágeno I é a principal
molécula constituinte da pele, correspondendo à cerca
de 70% de seu peso desidratado; o colágeno III predomina na pele
humana durante o período fetal. O colágeno tipo IV é
produzido pelos queratinócitos e secretado no espaço extracelular;
sua concentração também diminui durante o processo
de envelhecimento, principalmente após os 35 anos de idade, apresentando
correlação inversa com a membrana basal, que aumenta em
espessura. Esse fato indica haver redução na atividade
metabólica da epiderme. As fibras
colágenas são o principal fator responsável pela
resistência da pele. A diminuição da quantidade
de colágeno tipo I na pele leva à diminuição
da espessura da derme, tornando-a mais transparente e vulnerável
a agressões.
As fibras elásticas
A
fibra elástica madura consiste basicamente de elastina e microfibrilas,
sendo a elastina, seu maior componente. Estas
fibras encontram-se dispostas na derme de tal maneira a formarem uma
rede, podendo ser divididas em três tipos: as mais superficiais
são as oxitalânicas, em formato de taça com a concavidade
voltada para a face inferior da epiderme; logo abaixo, seguem as fibras
elaunínicas, com disposição perpendicular à
epiderme e por fim, as fibras elásticas verdadeiras (ou maduras),
dispostas paralelamente à epiderme, localizando-se mais abaixo
das fibras elaunínicas. Somadas,
as fibras elásticas correspondem a cerca de 2 a 4% da pele desidratada,
contribuindo muito pouco com a resistência,deformação
e tensão, embora participem em certo grau, da elasticidade da
pele.
Envelhecimento Cutâneo
Envelhecimento
é um fenômeno multifatorial, composto por várias
etapas e caracterizado pela diminuição da habilidade de
um sistema em responder ao estresse endógeno e/ou exógeno,
seja(m) ele(s) exercido(s) através de agentes químicos,
físicos ou biológicos. Vários
são os fatores que contribuem na determinação da
aparência senil da pele, dentre eles a carga genética,
a toxicidade do meio ambiente e a dieta, a exposição crônica
e cumulativa a luz solar, as forças mecânicas aplicadas
ao tecido conjuntivo, os hormônios e alterações
do colágeno. Dentre todos estes fatores, os mais importantes
são a exposição solar, a idade cronológica
e a menopausa. O tabagismo pode levar a isquemia crônica da derme,
diminuição dos níveis de colágeno e vitamina
A; este último efeito pode aumentar o impacto dos radicais livres
sobre a pele. Dessa maneira, o
tabagismo pode aumentar em 2 a 3 vezes o número de rugas faciais
em homens e mulheres caucasianos. Tanto o envelhecimento cronológico
quanto o devido a exposição solar estão relacionados
à acentuada diminuição da vascularização
da derme.
Alterações
cutâneas relacionadas ao envelhecimento cronológico
O envelhecimento celular parece
ocorrer devido à célula permanecer em repouso na fase
G1/S da mitose. Existem evidências indicando que as células
senis sintetizam proteína capaz de inibir a proliferação
celular, pois quando extraída e microinjetada em outras células,
inibiu as mitoses. Certos genes conhecidos
como supressores tumorais controlam a replicação celular.
Não existem evidências que os mesmos apresentem-se com
atividade aumentada nas células senis, mas é possível
que as proteínas sintetizadas à partir do m-RNA codificado
por esses genes possam se acumular na forma ativa, inibindo a síntese
de DNA. Além da ação
dos genes inibitórios, outros genes envolvidos na replicação
celular podem estar inibidos nas células senis. As
células epidermais de Langerhans diminuem em número, acreditando-se
que isso dificulte a resposta imunológica da pele Os fibroblastos
da derme apresentam capacidade de replicação limitada
entre 50 a 100 duplicações, quando então, param
de replicar em resposta a fatores de crescimento. A
análise de fragmentos de pele não expostos a luz solar
mostrou que o processo de envelhecimento da pele pode manifestar-se
através da diminuição do número de microfilamentos,
aparecimento de inclusões eletrodensas na matriz de elastina,
fragmentação e desintegração das fibras
.
Fenômenos influenciados pelos estrogênios podendo
sofrer influência dos androgênios:
· diminuição da espessura epidérmica (atrofia);
· diminuição da espessura da derme (atrofia);
Fenômenos provavelmente
influenciados pelos estrogênios:
· fragmentação das fibras elásticas.
Fenômenos provavelmente
influenciados pelos androgênios:
· diminuição da produção de sebo;
· diminuição do número e função
das glândulas apócrinas;
· diminuição do crescimento dos pêlos.
Alterações cutâneas devidas ao envelhecimento
solar
A
exposição excessiva a luz solar é fator de extrema
importância no processo de envelhecimento cutâneo. O mecanismo
deve-se a radiação ultravioleta que agride a pele, sendo
responsável pelo aparecimento de rugas e sulcos, alterações
da pigmentação, telangiectasias, queratose actínica,
carcinomas basocelulares e espinocelulares além de, possivelmente,
os melanomas, (Callens e cols., 1996). As
lesões verificadas nas fibras elásticas da pele expostas
ao sol são do tipo degenerativo (Braverman & Forfenko,1982).
Em estudo que comparou a pele facial com
a do antebraço em 170 mulheres saudáveis, verificou-se
que a primeira encontrava-se mais afilada e com menor elasticidade que
a segunda, principalmente na extremidade lateral dos olhos e zigomas,
áreas mais expostas à ação da luz solar,
concluindo que a luz do sol exerce efeito considerável na espessura
e propriedades físicas da pele. Estudo
investigando a natureza do material elastótico de pele submetida
a exposição solar, verificou que o mesmo era constituído
principalmente, de elastina e proteínas microfibrilares, com
pequena presença de colágeno tipo I, III e IV, sugerindo
que a elastose solar origina-se, basicamente de alterações
das fibras elásticas (Bernstein e cols., 1996). A
derme com elastose solar apresenta degenerações basófilas
em sua porção superior; os feixes de fibras colágenas
são substituídos por material granular amorfo, de coloração
basófila (Lever e Schaumberg-Lever, 1990).
Os efeitos da radiação
ultravioleta foram estudados na pele das nádegas de homens e
mulheres, medindo-se as concentrações de 3 metaloproteases
matriciais (enzimas proteolíticas envolvidas na degradação
das moléculas de colágeno expostas ao envelhecimento solar).
Demonstrou-se que a degradação das fibras colágenas
tipo I aumentava cerca de 58% após uma única irradiação.
Esses resultados sugerem que múltiplas exposições
à irradiação ultravioleta poderiam levar a elevações
permanentes das metaloproteases, contribuindo para o envelhecimento
solar.
Alterações da pele devidas ao envelhecimento solar
· rugas e dobras
· manchas solares
· telangiectasias
· pigmentação
· púrpura senil
· queratose actínica
· carcinomas espinocelulares e basocelulares
· melanomas
Com o envelhecimento, a pele não
exposta à luz solar apresenta desaparecimento progressivo do
tecido elástico na derme papilar, principalmente das fibras oxitalânicas.
Na pele exposta a ação solar, particularmente nas pessoas
que apresentam pele branca, verifica-se a ocorrência de hiperplasia,
geralmente em torno dos 30 anos de idade, mesmo quando a pele apresenta-se
com aspecto normal, de modo que praticamente nenhuma pessoa com idade
superior a 40 anos apresenta tecido elástico normal na pele facial.
O número de fibras está aumentado, encontrando-se mais
espessas, onduladas e entrelaçadas.
Alterações cutâneas devidas ao hipoestrogenismo
Existem várias referências
na literatura, que indicam haver possível relação
entre os esteróides sexuais e a pele e seus anexos. A primeira
aparece em 1941, quando se relatou possível associação
entre pele fina e osteoporose, sugerindo-se que ambos achados poderiam
ser devidos à atrofia generalizada resultante da perda da função
gonadal.Posteriormente surgiram diversos
outros trabalhos, a maioria demonstrando o espessamento da pele em mulheres
menopausadas que receberam tratamento hormonal através de administração
tópica ou sistêmica.
A pele apresenta receptores estrogênicos
e androgênicos (Stumpf e cols.,1976), tendo sido relatadas maiores
concentrações de estradiol nas camadas basais da epiderme.
Em mulheres, a investigação dos efeitos dos hormônios
sexuais sobre o envelhecimento da pele concentram-se basicamente nos
estrogênios; nos homens, existem poucos estudos sobre a influência
da testosterona, embora não existam trabalhos mostrando os efeitos
do envelhecimento sobre os receptores androgênicos, ainda que
tenha sido descrita diminuição da atividade da 5 alfa-redutase
com o aumento da idade no prepúcio. Desse modo, a influência
dos androgênios nas alterações dos queratinócitos
e fibroblastos relacionadas ao envelhecimento ainda devem ser melhor
investigadas.
Estudando
a pele de mulheres hirsutas com idades variando entre 17 e 38 anos com
a pele de mulheres normais, através de método radiológico
para medição da espessura e biópsia para a quantificação
de colágeno, verificou-se que a espessura da pele estava aumentada
de maneira evidente em algumas mulheres do primeiro grupo, embora não
se verificasse aumento significante ao analisar este grupo no global.
Verificou-se ainda, aumento das concentrações de colágeno
nas hirsutas, embora o mesmo não fosse estatisticamente significante.
Após a menopausa as diferentes
camadas da pele estão alteradas. A camada córnea está
marcadamente reduzida, a epiderme subjacente está adelgaçada,
apresentando achatamento das cristas interpapilares e junção
dermoepidérmica. A hipoderme também poderá diminuir
com a idade, agravando as condições da pele.
Os mecanismos de alteração
mais importantes no envelhecimento cutâneo são a diminuição
das secreções endócrinas e o estreitamento das
arteríolas cutâneas. Estas alterações afetam
as reações enzimáticas do tecido conjuntivo e estruturas
epiteliais, interferem com a nutrição tissular e com o
metabolismo dos tecidos colágeno, elástico, adiposo e
muscular (Fonseca e cols., 1995).
Assim, o hipoestrogenismo tende
a acelerar o envelhecimento cutâneo, tal como o faz no leito vascular
e ossos. A ausência de progesterona aumenta o impacto dos androgênios
nas glândulas sebáceas, pêlos corpóreos e
cabelos diminui a atividade mitótica da camada basal da epiderme,
reduz a síntese de colágeno e, provavelmente, a quantidade
de fibras elásticas. Isso contribui para o adelgaçamento
de toda a junção dermoepidérmica, com perda do
viço e a degradação das propriedades mecânicas,
em especial, a resistência a choques mecânicos, além
de diminuição progressiva da pilosidade, principalmente
axilar e pubiana. O hipoestrogenismo pode ser espontaneamente atenuado
pela síntese local de estradiol no tecido adiposo.
Os efeitos proliferativos dos
estrogênios no epitélio vaginal já são conhecidos
há bastante tempo. Recentemente demonstrou-se através
da análise simultânea de esfregaços de mucosa conjuntival
e vaginal em diferentes fases do ciclo, que ambos epitélios sofrem
as mesmas influências estrogênicas, embora o primeiro, em
menor grau. É provável que de modo semelhante, os efeitos
proliferativos estrogênicos se estendam a outros epitélios,
tais como as mucosas intestinais, podendo neste caso, interferir positivamente
em certos aspectos do metabolismo digestivo.
Discussão
Embora a idade cronológica
contribua para a perda de colágeno, seus efeitos não se
comparam aos do hipoestrogenismo prolongado. De fato, um dos efeitos
mais importantes dos estrogênios na pele é sua ação
sobre o colágeno. Quando exposta ao regime de hipoestrogenismo,
a pele feminina apresenta perda de colágeno tanto maior quanto
for o tempo de exposição e isso pode ser revertido total
ou parcialmente, dependendo da gravidade da perda e, evidentemente,
do tipo de tratamento empregado. Os efeitos estrogênicos no colágeno
cutâneo foram comprovados em diferentes regiões do organismo
(Brincat e cols., 1987a), (Brincat e cols., 1987b). Esses
resultados aplicam-se principalmente ao colágeno tipo I, principal
constituinte da derme, entretanto, verificou-se que as concentrações
de colágeno tipo III também respondem positivamente a
administração estrogênica.
A epiderme funciona como barreira
contra a desidratação da pele e de todo o organismo. Sabe-se
que a capacidade de retenção hídrica do estrato
córneo está diminuída em mulheres menopausadas
e essa característica pode ser revertida através do tratamento
estrogênico. Interessante é destacar-se o fato do enfraquecimento
dessa barreira poder estimular a produção de citoquinas,
implicando em maiores chances do aparecimento de dermatoses como psoríase
e eczemas em pacientes predispostas.
Praticamente não existem
referências sobre os efeitos dos esteróides sexuais sobre
as fibras elásticas da pele. Faz-se menção ao fato
de que as mesmas parecem apresentar-se menos fragmentadas a microscopia
eletrônica, após o tratamento, embora não aumentem
em quantidade
Como apresentado, a pele (e seu
colágeno) sofre influências de diversos fatores, mas principalmente
do envelhecimento solar e da carência de esteróides sexuais.
Ao avaliarmos a resposta da pele de diferentes locais do corpo ao tratamento
hormonal, devemos considerar que as áreas de exposição
solar não responderão necessariamente, da mesma forma
que as áreas não expostas. Por outro lado, existem outros
fatores de interferência a serem considerados, como por exemplo,
a o índice de massa corpórea, uma vez que a conversão
periférica de estrona pode estar aumentada em mulheres obesas.
Embora a maioria dos resultados
indique que os estrogênios atuam positivamente na pele, ainda
são necessários mais estudos, principalmente com respeito
aos efeitos da TRH sistêmica para se chegar a conclusões
mais definitivas.
Última
atualização: 13/08/2006

A
cosmetologia atualmente vem ganhando importância, pois o simples
enfoque estético começa a ganhar a visão científica
O cosmético
tem como finalidade tratar a pele de maneira a prevenir a sua deterioração
e restabelecer o seu equilíbrio fisiológico quando este
for passível de uma alteração. O cosmético
deve limpar, corrigir, proteger e embelezar a pele e anexos.
A
pele é o maior órgão do corpo humano e um dos mais
complexos, exercendo uma função principal de proteção
e revestimento. A pele protege o corpo contra agressões do meio
ambiente e funções sensoriais (calor, frio, pressão,
dor, tato), além de ter o seu importante papel na regulação
térmica, defeso orgânica e controle do fluxo sangüíneo.
Os pêlos, unhas e cabelos constituem os seus anexos. A epiderme
é a unidade mais superficial da pele exibindo a camada córnea,
que se assenta sobre um tecido de sustentação fibrilar
chamado derme. A derme, por sua vez se repousa sobre uma camada célulo-adiposa
também conhecida como tecido subcutâneo ou hipoderme.
É importante lembrar que o termo cosmético deve se limitar
aos produtos com ação superficial, sem caráter
terapêutico, não penetrando na estrutura celular ou fazendo
sinergia com o sistema circulatório. Qualquer ação
em profundidade sobre a pele e anexos, com produtos que alteram a estrutura
celular, passa ao domínio médico e deve ser visto como
medicamento.
A camada córnea da pele contém aproximadamente de 10 a
20% de água e o seu grau de hidratação decorre
do equilíbrio entre a água fornecida (endógena
ou exógena) e as perdas por evaporação. A película
hidrolipídica da superfície da pele, emulsão formada
pelo sebo cutâneo, suor e seus componentes têm papel importante
na retenção da água. Certos produtos, devido aos
seus componentes ou formulação, permitem diminuir os problemas
relacionados com a desidratação da pele. Quando saudável
e hidratada, a pele apresenta um aspecto brilhante e de plasticidade.
Uma pele desidratada perde suas propriedades biomecânicas, biológicas
e, sobretudo estéticas, pois o seu aspecto torna-se opaco, áspero,
sem elasticidade e com tendência a descamação.
A desidratação da pele pode ser evitada diminuindo-se
ou evitando-se as agressões externas ou utilizando produtos que
corrigem e restabelecem o equilíbrio biológico.
Novas Buscas
A busca de novas matérias-primas para o desenvolvimento de formulações
cosméticas, cada vez mais compatíveis e inócuas
aos diferentes tipos de pele, bem como o avanço e a perspectiva
de novos ativos com finalidades dermocosméticas, têm sido
uma constante por parte dos farmacêuticos, químicos, dermatologistas
e da indústria de cosméticos.
Segundo
a farmacêutica industrial, os produtos de beleza e tratamento
cosmético dividiam-se tradicionalmente em dois grupos: os extraídos
de fontes naturais e aqueles obtidos por síntese. Hoje se sabe
que a maior parte das substâncias utilizadas na formulação
de cosméticos pertence ao grupo dos "produtos naturais modificados"
que embora obtidos na natureza, foram modificados estruturalmente para
apresentar propriedades mais atenuantes ou menos tóxicas.
Inúmeras são as substâncias empregadas nas formulações
cosméticas para atenuar ou proteger a pele contra as agressões
e envelhecimento, mas a cosmetologia não passaria de um álibi,
uma mera ilusão, se os fatores intrínsecos e extrínsecos
como exposição ao sol, tabagismo, alimentação,
sedentarismos físicos e intelectuais não forem controlados
e evitados. Além do envelhecimento cutâneo intrínseco,
geneticamente determinado, os fatores extrínsecos são
determinantes, especialmente a radiação solar responsável
pelo fotoenvelhecimento.
A
pele envelhecida intrinsicamente apresenta-se delgada, pouco elástica
e finamente enrugada, com acentuação das linhas de expressão
do rosto. Já a pele fotoenvelhecida se caracteriza histologicamente,
pela displasia epidérmica, com vários graus de atipia
citológica, infiltrados inflamatórios, redução
do colágeno e elastose (degradação do material
elástico). Portanto, o envelhecimento intrínseco da pele
resulta em atrofia, enquanto o fotoenvelhecimento em hipertrofia. Esta
distinção nem sempre é clinicamente evidente, mas
nos casos ideais nota-se um envelhecimento intrínseco da pele
com rugas finas, enquanto a pele fotoenvelhecida apresenta um enrugamento
grosso e sulcado.
Necessidade de Proteção e os novos avanços
O
reconhecimento de que a proteção solar pode reduzir ou
até reverter os efeitos do fotoenvelhecimento da pele levou à
inclusão de filtros solares nas preparações de
bronzeadores, bases faciais, hidratantes, shampoos e batons. O desempenho
de um protetor solar depende da concentração do filtro
solar e de sua capacidade de permanecer na pele. Geralmente os filtros
solares disponíveis não bloqueiam a energia luminosa entre
320 e 400 nm, conhecidos como região de raios ultravioleta-A
(UVA). Os filtros solares entretanto absorvem 95% da radiação
UV dentro dos comprimentos de onda 290 a 320 nm (espectro dos raios
ultravioleta-B / UVB), também conhecido como região de
queimadura solar, pois estes comprimentos de onda da energia luminosa
produzem eritema e enrugamento cutâneo.
Os retinóides, como por exemplo a tretinoína,
também podem reverter as modificações cutâneas
fotoinduzidas. A tretinoína é um dos vários derivados
da Vitamina A e demonstrou transformar a epiderme atrófica trazendo
uma melhora do aspecto cutâneo rugoso. Entretanto não melhora
o enrugamento associado às linhas de expressão facial.
A pele do rosto tratada com tretinoína também apresenta
novas sínteses de colágeno das papilas dérmicas,
novas formações de vasos sanguíneos e esfoliação
do estrato córneo acumulado. Ainda se desconhecem os efeitos
da tretinoína sobre o envelhecimento intrínseco. Vários
graus de eritema e dermatites são comuns em pacientes tratados
com tretinoína, nas primeiras duas a seis semanas. Este efeito
irritante (ardor, prurido e descamação) costuma desaparecer
com o passar do tempo e com a descontinuidade da aplicação.
A tretinoína é fotoinativada e aumenta a fotossensibilidade
cutânea, de forma que a sua aplicação é recomendada
à noite. Os pacientes também devem usar protetores solares.
Os resultados podem ser percebidos a partir de 4 meses em pacientes
que usam tretinoína tópica diariamente.
O
rejuvenescimento facial é hoje uma realidade, alcançada
através dos peelings químicos e aplicação
de Laser (Light accumulated
by stimuleted eletron radiation)
que diferentemente da cirurgia plástica, que objetiva aumentar
ou reduzir tecidos cutâneos, promovem um aspecto jovem e mais
natural para a pele.
O peeling pode ser definido como um processo no qual se utilizam
diversos agentes capazes de promover uma descamação das
camadas superficiais da pele, ativando mecanismos biológicos
que estimulam a renovação e o crescimento celular desde
as camadas mais profundas da pele. Resultado disso é uma pele
mais saudável, lisa, uniforme e rejuvenescida.
O peeling químico, utilizando ácido glicólico
ou retinóico, tem mostrado resultados muito satisfatórios
na melhoria da textura e aparência da pele danificada pelo sol.
Outros produtos como ácido salicílico ou ácido
tricloroacético também são utilizados em peelings
superficiais e de média profundidade, respectivamente.
Os alfa-hidroxiácidos são também
chamados de ácidos frutais devido à sua obtenção
a partir de fontes naturais como a maçã, uva, cana-de-açúcar
e frutas cítricas. Embora utilizados há centenas de anos
como agentes hidratantes e refrescantes da pele, os alfa-hidroxiácidos
foram recentemente empregados no tratamento da acne, pele fotoenvelhecida,
pigmentação e em rugas finas.
Este grupo de ácidos orgânicos, em especial o ácido
glicólico, quando usado regularmente, age como esfoliante,
promovendo uma remoção de corneócitos (células
mortas) da camada superior da epiderme e permitindo que células
mais jovens que emergem a superfície, facilitando a penetração
de outros princípios ativos associados a ele.
Existem
diversos produtos no mercado contendo alfa-hidroxiácidos em baixas
concentrações e que são seguros para uso domiciliar.
Soluções muito concentradas de ácido glicólico,
no entanto só devem ser aplicadas pelo dermatologista, com rigoroso
controle sobre o tempo de exposição à pele. Por
se tratar de um leve esfoliante, vários tratamentos podem ser
requeridos até que se atinja os resultados esperados.
O peeling com ácido glicólico é bastante
seguro, não requer afastamento do indivíduo de suas atividades
regulares e ao contrário do ácido retinóico, raramente
causa sensibilidade à luz solar, vermelhidão ou irritação
na pele. Existem algumas contra-indicações ao uso do peeling
com ácido glicólico para os pacientes portadores de herpes,
eritemas persistentes, cicatrizes hipertróficas, gestantes e
em pele negra.
Os efeitos secundários relacionados ao emprego de cosméticos
e produtos para cuidados pessoais são raros se considerarmos
o grande número de pessoas que entram em contato com as mais
variadas substâncias utilizadas nestes produtos. A dermatite de
contato irritativa é o efeito colateral mais comum induzido por
cosméticos. Manifesta-se por eritemas que causam ardor e coceira
à pele, podendo apresentar microvesículas e descamação.
Trata-se de um dano ao nível do estrato córneo, sem fenômenos
imunológicos. A irritação pode ser conseqüência
do pH das formulações ou veículos que dissolvem
o sebo protetor da pele. Além disso, a fricção
ou partículas abrasivas dos cosméticos também podem
causar irritação. Uma vez danificada a camada córnea,
esta deixa de exercer a função protetora e qualquer cosmético
aplicado sobre a pele poderá causar uma irritação.
A dermatite de contato alérgica é um fenômeno imunológico,
que necessita da presença de um antígeno e de células
produtoras de antígenos, sem considerar a condição
do estrato córneo protetor. Portanto, um estrato córneo
íntegro não evita o desencadeamento de uma dermatite de
contato alérgica nos indivíduos sensibilizados. As causas
mais comuns de dermatite alérgica induzida por cosméticos
são as essências, seguidas pelos conservantes. Uma outra
manifestação ao uso de cosméticos pode ser a urticária
de contato, caracterizada por pápulas e rubor após aplicação
tópica de um produto químico, ou podendo ser generalizada
com reação anafilática.
Relação causa e efeito
Pode-se dizer então que a ação dos cosméticos
sobre a pele pode causar uma "irritação" caracterizada
por um efeito cáustico, geralmente proporcional à dose
(concentração) e que se difere da "intolerância"
aos cosméticos, que é um fator individual e não
depende da concentração do alergênico.
Um tipo de acne de baixo grau, caracterizada por comedões fechados
foi descrito por Kligman e Mills como acne cosmética, induzida
por substâncias presentes nos cosméticos, apresentando
em alguns casos uma erupção pápulo-purulenta. Quando
se avalia o potencial comedogênico de um cosmético deve-se
levar em conta sua concentração e seu potencial comedogênico
quando associado com outras substâncias. Sabe-se que nem todas
as bases oleosas necessariamente produzem comedões podendo ser
acnegênicos e não comedogênicos. Entretanto, recomenda-se
para peles oleosas e com acnes, os géis, evitando-se o uso de
cremes com alto conteúdo lipídico.
Finalmente podemos concluir que tanto os cosméticos de superfície
como os bioativos têm seus limites de atuação e
os resultados vão depender da quantidade e qualidade do manto
hidrolipídico. Apesar de grandes esforços e avanços
na cosmetologia e no campo da fisiologia da pele, é pequeno o
conhecimento sobre as reais modificações de ordem biológica
do tecido cutâneo. Muitas pessoas ainda acreditam em efeitos milagrosos
dos cosméticos esquecendo-se que os melhores resultados
somente serão obtidos quando aliado aos cosméticos encontrarmos
hábitos saudáveis de vida.
Última
atualização: 17/11/2005

Formulações
Transdérmicas
Introdução
A
via transdérmica é uma alternativa às vias de administração
tradicionais, que permite o controle da absorção de determinada
quantidade de fármaco carreado através de lipossomas ou
facilitadores de penetração até os tecidos e corrente
sangüínea. É indicada para tratamentos sistêmicos
que possibilitam a prescrição de baixas concentrações
do fármaco, diminuindo a toxicidade sistêmica. Além
das vantagens já descritas anteriormente, são vários
os motivos que geram maior adesão ao tratamento e diversas classes
de medicamentos com eficácia comprovada estão sendo utilizadas
através do sistema transdérmico. Exemplos: antiinflamatórios
não hormonais, relaxantes musculares, anti-histamínicos,
antieméticos, hormônios sexuais, etc.
Variações de bases transdérmicas
Considerações
Importantes
-
Fatores biológicos
que aumentam a absorção
Pele hidratada (geralmente as mulheres apresentam pele mais hidratada,
exceto na menopausa);
Irrigação sangüínea;
Espessura fina da pele;
Região da pele: Genitais > Áreas da cabeça
> Tronco >Membros.
-
Fatores biológicos
que dificultam a absorção
Pigmentação;
Idade (pele envelhecida está mais compactada);
Acúmulo de tecido adiposo.
Esses fatores são importantes
ao determinar o local da aplicação, sendo utilizados para
acelerar ou dificultar a absorção dependendo das características
que o paciente apresentar. Ou seja, fatores que dificultam a absorção
podem ser favoráveis aos pacientes que apresentam pele pouco
espessa e pouco pigmentada.
-
Fatores relacionados
ao fármaco que afetam a absorção
Quanto maior a concentração, maior a absorção.
Peso molecular alto (acima de 800 daltons) dificulta a absorção;
-
Fatores físicos
que afetam a absorção
Temperatura quente aumenta a absorção
Clima úmido aumenta a absorção.
-
Facilitadores da Penetração
cutânea
Essas substâncias podem ser utilizadas
em formulações em geral ou associar a fármacos
de alto peso molecular, com o objetivo de aumentar a penetração
(as bases transdérmicas já citadas, não necessitam
dessa associação). Exemplos:
Solventes - DMSO,
etanol, propilenoglicol, acetona, acido oléico, miristato de
isopropila,etc.
Queratolíticos
- Ácido salicílico e uréia.
Agentes anfifílicos - Lipossomas e surfactantes.
Outras substâncias
- Lecitina, mentol, etc.
Última
atualização: 25/10/2005

Existe
benefício das vitaminas ingeridas na forma de pílulas?
Pela
lógica simplista, já que frutas, verduras e peixes
contêm grande quantidade de nutrientes saudáveis,
por que não isolar e purificar todas as vitaminas desses alimentos,
e tomá-las na forma de pílulas? E uma quantidade maior não
seria melhor para a nossa saúde? Pensando desta forma poderíamos
deixar de comer brócolis, laranjas, queijos e peixes, e deixar
que vários tabletes de vitaminas e suplementos forneçam
um escudo protetor contra o câncer, doenças cardíacas,
gripes, e outras enfermidades. É uma hipótese bem plausível,
no entanto, quando ela foi submetida a testes rigorosos, não foi
confirmada. Trata-se de uma idéia perigosa e simplista. O maior
perigo é o psicológico. O risco é que as pessoas
pensam que, se tomam cápsulas de vitaminas e suplementos, não
precisam se exercitar e podem fazer uma alimentação insuficiente
e de má qualidade. Além disso, o combate ao envelhecimento
cutâneo não se baseia apenas na alimentação,
mas também com outros cuidados do corpo e da pele (filtros solares,
atividade física, hidratação e herança genética).
Nos
vegetais frescos, por exemplo, as vitaminas mantêm
suas propriedades naturais íntegras e a sua ação
no nosso organismo é resultado da interação de vários
componentes e nutrientes contidos nestes alimentos, além da própria
vitamina. Quando uma vitamina é isolada numa cápsula, sua
ação é limitada e às vezes prejudicial ao
nosso organismo. Por motivos que os cientistas ainda não identificaram,
o corpo processa as vitaminas de maneira diferente quando elas são
administradas na forma de alimentos ou de pílulas, provavelmente
porque os alimentos interagem uns com os outros de uma forma que auxilia
a absorção de nutrientes. Os especialistas em nutrição
dizem que até o momento os cientistas que trabalham nos laboratórios
não conseguiram superar aquilo que a natureza faz a milhares de
anos. No entanto, oferecer conselhos sobre nutrição nunca
é algo tão simples quanto dizer "tome as suas vitaminas",
ou, mesmo, "não tome as suas vitaminas". E, para complicar
ainda mais as coisas, a resposta obtida com as pílulas de vitaminas
não é a mesma para todos. É claro que muita gente
ainda é devota das vitaminas. Muita gente continua tomando suplementos,
apesar das advertências de que as pílulas podem não
ajudar em nada. Muitas pessoas são cabeças-duras. Os pesquisadores
insistem que a maneira de se ter uma vida longa e saudável não
é ingerir grandes quantidades de pílulas, mas sim ter
uma dieta saudável e balanceada.
Megadoses
de Vitaminas
Grande
parte das críticas recentes envolvendo as vitaminas têm girado
em torno das megadoses, que podem ser 10, 20 ou 30 vezes acima das quantidades
diárias recomendadas. A promessa de saúde vinculada às
pílulas com altas doses de vitaminas tem sido cada vez mais contestada
por pesquisas científicas de qualidade, como foi publicado no The
Journal of the American Medical Association, no mês de julho
de 2005. Cientistas que escrevem para periódicos de medicina atacaram
a idéia de que altas doses de vitaminas podem reduzir a ocorrência
de doenças potencialmente fatais. Eles argumentam que, em certos
casos, suplementos excessivos podem ser até prejudiciais. Veja
alguns exemplos:
Beta-caroteno:
a substância tem sido apresentada como o maior combatente do câncer
e do envelhecimento cutâneo, por ser um antioxidante natural. Mas
em um estudo recente os pesquisadores demonstraram que altas doses desse
nutriente, que o corpo converte em vitamina A, na verdade aumenta em mais
do dobro a probabilidade de que um fumante venha a sofrer de câncer
de pulmão. J Natl Cancer Inst 2005;97:1338-1344.
Ácido Fólico: os médicos ainda encorajam
as mulheres a tentarem engravidar tomando suplementos que incluem essa
substância, porque estudos científicos demonstraram que ela
previne os defeitos de nascença. Mas descobertas recentes reduziram
as esperanças de que o ácido fólico possa ajudar
a combater as doenças cardíacas, e um estudo sugeriu que
pacientes cardíacos que ingerem grande quantidade de ácido
fólico após uma operação de desobstrução
de artérias têm maior probabilidade de sofrer novas obstruções.
Vitamina
C: Tomar doses excessivas de vitamina C na verdade pode gerar
dependência, porque seu corpo se acostuma a funcionar com níveis
mais elevados. Com a interrupção súbita dessa ingestão
extra, ironicamente, ocorre uma condição chamada "escorbuto
de rebote". O excesso também pode levar à formação
de cálculos renais. Um estudo recente mostra que megadoses de vitamina
C podem na verdade acelerar a esclerose arterial (endurecimento das artérias).
Pesquisadores da University of Southern California estudaram
573 homens e mulheres saudáveis de meia idade, não-internados.
Aproximadamente 30% deles tomaram várias vitaminas regularmente.
O estudo não constatou sinais claros de que altas quantidades de
vitamina C provenientes da dieta ou multivitamínicos diários
causasse algum prejuízo. Mas aquelas pessoas que tomaram pílulas
de vitamina C tiveram acelerado espessamento das paredes das grandes artérias
do pescoço. Quanto maior a dose usada, mais rápido o processo.
Houve também um alerta para pacientes com câncer sobre o
perigo das megadoses. É provável que grandes doses da vitamina
possam na verdade proteger células tumorais contra radiação,
quimioterapia e radicais livres, uma vez que a vitamina C tem propriedades
antioxidantes. Doses elevadas de vitamina C tem sido relatadas como causadoras
de reações alérgicas e vasculites alérgicas
em mulheres.
Vitamina D: estudo publicado este ano no periódico The
Archives of Internal Medicine, revelou que ela não desacelerou
a perda óssea em mulheres negras idosas, como havia sido previsto.
Vitamina E: publicado
este ano no The Journal of the American Medical Association,
concluiu que para a maioria das mulheres, grandes doses de vitamina E
não têm nenhum efeito no sentido de prevenir problemas do
coração. Em dermatologia o seu uso é recomendado
dentro das doses usuais, não excedendo 400 UI por dia, ou menos.

Multivitamínicos
Até mesmo as multivitaminas,
que costumam conter a dose diária recomendada de uma gama de nutrientes,
não são universalmente aceitas pelos nutricionistas. Para
alguns cientistas, não existem evidências de que as multivitaminas
sejam perigosas, mas não há nenhuma prova convincente de
que elas impliquem em algum benefício apreciável.
Outros
especialistas acreditam que as multivitaminas podem ajudar a restaurar
o equilíbrio nutricional comprometido por uma dieta deficiente
ou insuficiente, que é muito comum nos dias atuais. Se examinarmos
o que as pessoas comem, e houve muitas pesquisas para determinar os níveis
de nutrientes e alimentos, encontraremos muitas deficiências. Para
algumas pessoas, cuja extrema pobreza impede que se alimentem corretamente,
os suplementos podem salvar-lhes a vida. Mas não estamos falando
de pessoas com escorbuto ou raquitismo, mas de nutrientes que não
estão sendo consumidos por parcelas substanciais da população,
incluindo as vitaminas B12 e D. O processo de envelhecimento do organismo
está relacionado com a deficiência de nutrientes e em especial
a de vitaminas. Muitas pessoas (a maioria) possuem vícios alimentares
e são adeptas do fast food e alimentos congelados. Sabe-se que
muitas vitaminas são extremamente sensíveis. Se o alimento
ficar exposto por mais de duas horas antes de ser ingerido, ele perde
10% das suas vitaminas (principalmente C, folato e B6). Cozinhar, congelar
e depois esquentar os alimentos para comer destrói 30% de suas
vitaminas. O conteúdo de vitamina C das maçãs cai
em 67% depois de dois a três meses após serem colhidas, vegetais
verdes perdem toda a sua vitamina C em poucos dias armazenados à
temperatura ambiente. Congelar frutas e verduras diminui o conteúdo
de vitamina C em 25%. Nestes casos, a suplementação de vitaminas
visa cobrir a nossa ingestão deficiente destas vitaminas, que não
estão presentes em quantidades adequadas nos alimentos (processados)
que ingerimos diariamente. Sabemos que a quantidade de vitaminas que obtemos
da alimentação depende do solo onde o produto foi cultivado,
o quão fresco o produto está, de como ele foi estocado e
a forma como foi preparado. Infelizmente nas cidades onde vivemos ninguém
tem espaço e tempo para ter sua própria horta em casa.
Nunca esquecer que aquilo que compramos
em um frasco não chega nem perto de proporcionar a riqueza de benefícios
que é automaticamente adquirida quando esses nutrientes estão
presentes na forma de alimentos frescos. Os multivitamínicos, neste
caso, ajudam a suprir o que deveríamos, em tese, estar ingerindo
apenas pelos alimentos.
Controvérsias
Os
estudos que contestam os poderes das vitaminas para prevenir doenças
têm sido alvos de ataques, tanto da indústria de suplementos
vitamínicos quanto dos aficionados das pílulas. A Aliança
de Educação sobre Suplementos Dietéticos, uma coalizão
apoiada pelos fabricantes de suplementos vitamínicos nos USA, ataca
regularmente os estudos que criticam as pílulas de vitaminas, argumentando
que a ciência está cometendo um erro, e que o que esses estudos
geram medo. Para fazer comentários sobre o assunto, a aliança
encarregou Mart Traber, professora do Departamento de Ciências
de Nutrição e Exercício da Universidade Estadual
de Oregon, e, segundo a indústria, especialista na utilidade
das vitaminas. Traber concordou que uma dieta saudável
combinada com um estilo de vida ativo é a melhor forma de alcançar
a boa forma física. Sabemos que a nutrição
e os exercícios são fundamentais para uma boa saúde,
mas temos ignorado isso. Sempre é mais fácil sentar no sofá
e comer salgadinhos do que sair para fazer uma corrida. Todo mundo é
preguiçoso.

Pesquisas
mais recentes
Osteoporose:
de acordo com a Academia Nacional de Ciências - USA, a ingesta dietética
recomendada de cálcio para mulheres com idades entre 19 e 50 anos
é de 1000mg/dia, enquanto que, em mulheres com idades entre nove
e 18 anos, o valor é igual a 1300mg/dia. Foi realizado um estudo
por doze meses, patrocinado pelo American Diary Association/National
Diary Council, e publicado em Julho de 2005 no Journal of Clinical
Endocrinology and Metabolism (Women who take oral contraceptives can counteract
bone loss by increasing calcium in their daily diet), onde pesquisaram
a relação existente entre a ingesta dietética diária
de cálcio e o uso de anticoncepcionais orais em relação
à densidade mineral óssea de pacientes femininas jovens.
Pesquisas anteriores revelaram que a otimização da massa
óssea na adolescência e na idade adulta precoce previne a
diminuição da densidade mineral óssea e o surgimento
de osteoporose tardiamente na vida. Por outro lado, anticoncepcionais
orais parecem diminuir a densidade mineral óssea. Os resultados
desta pesquisa sugerem que muitas mulheres que utilizam anticoncepcionais
orais nos anos de pico de desenvolvimento ósseo poderiam reduzir
o risco de osteoporose em aproximadamente três a dez por cento em
um ano através da ingesta adequada de cálcio. Isso demonstra
a importância da ingesta de cálcio, através da alimentação
ou via suplementos alimentares.
Memória:
alguns alimentos vegetais como batata, rabanete, brócolis,
laranja e maçã podem melhorar a memória, segundo
estudos realizados no King´s College de Londres. Em extratos
destes produtos são encontradas substâncias que agem da mesma
forma que medicamentos contra doença de Alzheimer, o que pode ter
repercussões na prevenção e tratamento de pacientes
com este problema, informou em um comunicado a Sociedade Farmacêutica
Real da Grã-Bretanha. "No entanto, ainda não está
provado que comer brócolis, por exemplo, tem um efeito benéfico
no caso de Alzheimer", disse o professor Peter Houghton, do King´s
College de Londres.
Câncer
de Próstata: pesquisadores da Laval University Cancer
Research Center, em Quebéc, avaliaram se a suplementação
diária de vitaminas antioxidantes (vitamina C, vitamina E e beta-caroteno)
e minerais (selênio e zinco) reduz a ocorrência de câncer
de próstata ou influencia biomarcadores como o PSA. Mais de 5000
homens receberam suplementos ou placebo. Dados dos biomarcadores estavam
disponíveis em uma base de dados que foi seguida por 9 anos por
uma média de 3616 homens. A suplementação foi associada
com 48% de redução na incidência de câncer de
próstata entre homens com dosagem de PSA menor que 3microgramas/L.
Estes resultados foram publicados no International Journal of Cancer
deste ano. Em contraste, homens com níveis de PSA maior ou igual
a 3 microgramas/L que receberam suplemento experimentaram uma redução
de 54% na incidência de câncer de próstata.A suplementação
com vitaminas antioxidantes e minerais não teve impacto claro nos
níveis de cinco biomarcadores do câncer de próstata,
segundo indica este estudo. O estudo suporta a hipótese que a quimioprevenção
do câncer de próstata pode ser alcançada com vitaminas
antioxidantes e minerais, mas os pesquisadores recomendam estudos futuros
para identificar qual o melhor agente ou qual a combinação
mais adequada de agentes para a prevenção e também
para determinar quais dosagens são seguras e efetivas.
Câncer de pulmão:
as verduras do grupo das chamadas crucíferas já haviam sido
associadas à redução dos índices de câncer
do pulmão, mas a razão não havia sido descoberta
até essa pesquisa. Os cientistas
concluíram que comer verduras crucíferas (repolho, por exemplo)
pelo menos uma vez por semana reduz o risco de câncer em pessoas
com versões inativas de dois genes presentes em 70% das pessoas.
Os dois genes, o GSTM1 e o GSTT1, geralmente protegem o corpo de determinadas
toxinas. Verduras como repolho, brócolis e brotos de feijão
são ricos em substâncias químicas chamadas isotiocianatos,
tidos como protetores naturais contra o câncer de pulmão.
Geralmente os isotiocianatos são eliminados do organismo por enzimas
"limpadoras" produzidas pelos dois genes. Pesquisadores da Iarc,
localizada em Lyon, na França, examinaram 2.168 pessoas
com câncer no pulmão e outras 2.168 saudáveis, vindas
de Polônia, Eslováquia, República Checa, Romênia,
Rússia e Hungria, onde essas verduras fazem parte da dieta básica.
Foram tiradas amostras de DNA e as suas dietas foram monitoradas. O efeito
protetor do gene não foi observado nas pessoas com versões
ativas dos dois genes. Entre aqueles que tinham uma versão inativa
do GSTM1, no entanto, o consumo semanal dos vegetais aumentou a proteção
contra a doença em 33%. Cerca de metade das pessoas tem essa forma
de gene. Nos participantes com uma versão inativa do GSTT1, o aumento
da proteção foi ainda maior - 37%. Apenas um quinto dessas
pessoas tem esse gene. Em indivíduos com versões inativas
dos dois genes - situação que se aplica a 10% da população
- o efeito protetor foi de 72%. Essas informações fornecem
fortes provas de que um efeito protetor substancial de verduras crucíferas
sobre o câncer de pulmão. Outro pesquisador da equipe ressaltou
que todos os voluntários comiam as verduras e, portanto, não
é possível saber, a partir do estudo, se a quantidade ingerida
interfere no efeito protetor. A mensagem aqui é que o efeito ambiental
depende da herança genética e vice-versa, e enfatizou que
o efeito protetor das verduras não eliminaria os malefícios
causados pelo cigarro, maior responsável pela incidência
de câncer de pulmão. O risco de um fumante regular desenvolver
câncer de pulmão é 20 vezes maior do que o de um não-fumante.
Portanto, mesmo se o consumo desses vegetais cortar esse risco pela metade,
fumantes ainda estariam sob um risco muito maior.
Doenças
Cardíacas: durante os últimos anos, níveis
sangüíneos elevados de homocisteína (um aminoácido
que contêm enxofre) têm sido ligados ao aumento do risco de
doença coronariana prematura, derrame e tromboembolismo (coágulos
sangüíneos venosos), mesmo entre pessoas que têm níveis
normais de colesterol. Níveis anormais de homocisteína parecem
contribuir na aterosclerose em pelo menos três maneiras: (1) um
efeito tóxico direto que danifica as células que revestem
o interior das artérias, (2) interferência com fatores de
coagulação, e (3) oxidação das lipoproteínas
de baixa densidade (LDL). Níveis elevados de homocisteína
podem ser causados por deficiência de vitamina B12 devido a problemas
de absorção da B12 causada por atrofia gástrica (dano
da parede do estômago). A deficiência de B12 leva a anemia
e, se não corrigida a tempo, danificará permanentemente
o sistema nervoso. Suplementos de ácido fólico corrigirão
a anemia (a qual pode servir como um sinal de alerta antes do dano nervoso
se desenvolver), mas não previnem o dano. Por esta razão,
pessoas com mais de 50 anos que tomam suplementos de ácido fólico
deveriam também tomar ao menos 25 microgramas de vitamina B12 por
dia, uma dose grande o suficiente para possibilitar que quantidades adequadas
sejam absorvidas. Acredita-se que todos acima dos 50 anos deveriam tomar
suplementos de B12 de qualquer forma, porque a atrofia gástrica
é comum conforme as pessoas envelheçam.
Importance of both folic acid and vitamin B12 in reduction
of risk of vascular disease. Lancet 359:227-228, 2002.
Proteção
contra o Câncer: Já se sabe que os brócolis
possuem propriedades anticancerígenas, mas os pesquisadores do
Instituto de Pesquisa sobre Alimentos, de Norwich - Inglaterra,
descobriram que características genéticas de algumas pessoas
podem minimizar a proteção que elas recebem do vegetal.
Isto pode ser evitado,
segundo os cientistas, pela criação de brócolis que
contenham uma concentração maior de sulforafane,
a substância responsável pelo efeito anticâncer. O
instituto espera que a técnica para conseguir isto esteja desenvolvida
no prazo de três anos, mas até lá eles recomendam
que as pessoas optem por comer uma grande variedade de verduras,
não se resumindo aos brócolis.O coração do
problema parece ser um gene chamado GSTM1, que metade das pessoas não
possui, de acordo com o cientista Richard Mithen, que lidera
a pesquisa. Alguns indivíduos que não têm o gene parecem
receber menos proteção contra o câncer. Os estudos
sugerem que isto pode ocorrer porque, se você não tem o gene,
não consegue reter a sulforafane em seu corpo. Tudo é eliminado
em algumas horas. Mas, se você consumir grandes quantidades de brócolis,
ou brócolis com maiores níveis de sulforafane, como os superbrócolis,
você pode ser capaz de reter tanto sulforafane no organismo quanto
as pessoas que têm o gene. Os brócolis pertencem à
mesma família do repolho, da couve flor e da couve de Bruxelas.
Uma análise de 63 estudos publicados nas últimas quatro
décadas concluiu que cânceres de cólon, mama e ovários
estão ligados a baixos níveis de vitamina D. Calculam que
o consumo diário de mil unidades internacionais (UI) da vitamina
pode ser suficiente para reduzir o risco desses tipos de câncer
pela metade. Um copo de leite, por exemplo, tem 100 UI.
Fonte: www.bbc.com
Alimentação
e Saúde Mental: Estudo realizado
na Grã-Bretanha afirma que mudanças na dieta nos últimos
50 anos podem estar relacionadas ao aumento de doenças mentais,
como depressão e até doença de Alzheimer. Promovida
em conjunto pela organização Sustain e Fundação
pela Saúde Mental da Grã-Bretanha (MHF), a pesquisa
sugeriu que a forma com que os alimentos passaram a ser produzidos
alterou o equilíbrio dos nutrientes mais importantes e necessários
na dieta alimentar. Demonstrou, ainda, que as pessoas estão
comendo menos alimentos frescos e mais açúcar e gorduras
saturadas. No Reino Unido, destacou-se, o desequilíbrio ocorre,
entre outros fatores, pela carência de substâncias como o
Ômega 3 - cuja grande fonte é o peixe. "Alimentar bem
seu corpo equivale a alimentar bem seu espírito, mas se não
se mudar radicalmente os hábitos alimentares, em particular, no
que diz respeito ao pescado, não haverá alimentação
saudável e nutritiva no futuro", disse a cientista Courtney
Van de Weyer, co-autora do estudo. Outros estudos descobriram uma ligação
entre a deficiência da vitamina D e esquizofrenia (transtorno do
funcionamento cerebral), esclerose múltipla (doença do sistema
nervoso central) e doenças pulmonares.
Quinua
é considerado o melhor alimento do mundo: a quinua (Quinoa)
é um cereal encontrado apenas no deserto Uyuni, no Altiplano Boliviano
- a 3,8 mil metros acima do nível do mar. É considerado
pela Academia de Ciências dos Estados Unidos como o melhor alimento
de origem vegetal para consumo humano. Seu valor nutritivo é tão
grande que a Nasa a selecionou para integrar a dieta dos astronautas em
vôos de longa duração. Provavelmente por estas razões,
os incas - que a cultivavam há 8 mil anos - a veneravam como símbolo
religioso e a chamavam de "Grano Madre" ou "Grano de Oro".
Conhecido em todo o mundo, o cereal chegou há pouco tempo no Brasil
e já é encontrado - em forma de flocos, grãos e farinha
- em grande parte do País. Entre os benefícios do consumo,
estão a prevenção de câncer de mama, osteoporose
e problemas cardíacos, melhora da imunidade, da aprendizagem e
da memória e recuperação de tecidos, entre muitos
outros.
Recomendações
Finais
A
recomendação mais prudente e sustentável cientificamente
para a população geral é consumir uma dieta balanceada
com ênfase em frutas e vegetais ricos em antioxidantes e
grãos integrais. Este conselho, que é consistente
com as diretrizes dietéticas atuais da American Heart Association,
considera o papel da dieta global em influenciar o risco às doenças.
O acompanhamento médico periódico é altamente recomendável.
Não tomar vitaminas e suplementos sem o acompanhamento de seu médico.
Apesar dos achados negativos da maioria dos ensaios clínicos, muitos
fabricantes continuam a comercializar antioxidantes como se tivessem comprovado
seus benefícios. Muitos também promovem misturas de beta-caroteno
e outros carotenóides, os quais, sugerem, podem proporcionar os
mesmos benefícios que as frutas e vegetais. Muitos tipos de cápsulas
descritas como "concentrados" de frutas e/ou vegetais estão
sendo comercializadas. Entretanto, não é possível
condensar grandes quantidades de produto em uma cápsula sem perder
fibras, nutrientes e muitos outros fitoquímicos. Apesar de alguns
produtos conterem quantidades significativas de nutrientes, estes nutrientes
são facilmente obtidos por um custo menor através dos alimentos.
Nos últimos meses, as revistas científicas afirmaram que
o café pode causar doenças cardíacas fatais e também
que está cheio de antioxidantes que previnem o câncer. Leite,
que tem cálcio, é bom para os ossos, só que a gordura
faz mal para as artérias. Carne vermelha é ruim para o coração,
mas dietas ricas em proteína podem ajudar a combater a obesidade.
Uma dieta rica em fibras é boa, não fosse pelo fato de que
um estudo americano dizer agora que não previne os cânceres
do sistema digestivo.
A ciência é complexa e uma boa saúde envolve equilibrar
um risco em relação a outro. Mas, para os consumidores comuns,
separar o joio do trigo está se tornando uma tarefa cada vez mais
complicada. Há uma concordância científica geral de
que ingerir quantidades adequadas de frutas e vegetais
pode ajudar a diminuir a incidência de doença cardiovascular
e certos tipos de câncer. Com relação aos antioxidantes
e outros fitoquímicos, a questão chave é se a suplementação
provou trazer mais benefício do que prejuízo. Até
agora, a resposta é não, por isso a ANVISA
não permite que qualquer uma dessas substâncias seja rotulada
ou comercializada com alegações de que pode prevenir doenças.
Fonte de consulta:
nutriwatch
Última
atualização: 22/02/2005
Estudo
associa obesidade e hipertensão a riscos de demência
A
edição de agosto da revista Lancet Neurology apresentou
os resultados de um estudo, realizado com 1.409 indivíduos de média
idade, mostrando que a hipertensão, a obesidade e altos índices
de colesterol aumentam a probabilidade de desenvolver demência.
A equipe de pesquisadores, coordenada por Mia Kivipelto, do Centro
de Pesquisas sobre a Velhice, do Instituto Karolinska (Suécia),
desenvolveu um método capaz de prever - com base nesses fatores
- os riscos de um indivíduo de média idade contrair a doença.
Para essa projeção, os cientistas analisaram os valores
para pressão sangüínea, IMC (Índice de Massa
Corporal) e colesterol, e consideraram também a idade, rotina de
atividade física, nível cultural e fatores genéticos.
O grupo de voluntários foi examinado novamente depois de vinte
anos, para detecção de sintomas de demência, como
Alzheimer, ou demência do tipo vascular.
Principal conclusão: junto aos fatores de risco
já conhecidos, como idade ou nível baixo de escolaridade,
outros fatores como obesidade, hipertensão e colesterol
podem exercer importante influência no aparecimento da demência.
O novo teste fornece uma pontuação específica a cada
um dos diferentes fatores, através da soma dos pontos obtidos.
Kivipelto acredita que "os médicos podem vir a utilizar esse
sistema para identificar pessoas com maiores probabilidades de desenvolver
a demência".
Miia Kivipelto, Tiia Ngandu BMc, Tiina Laatikainen,
Bengt Winblad, Hilkka Soininen and Jaakko Tuomilehto Risk score for the
prediction of dementia risk in 20 years among middle aged people: a longitudinal,
population-based study .Lancet Neurology - Volume 5 - Agosto 2006
Última
atualização: 13/08/2006


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